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2010: A nova escalada golpista no factoide do PNAD

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Ano de 2010, ultimo ano do governo altamente popular de esquerda, o governo Lula. Primeiro governo de esquerda da história brasileira. O segundo presidente operário da história da humanidade. E o único operário que alcançou o poder com os comunistas, e não contra os comunistas, como ocorreu com Walessa. Apesar de Walessa ter alcançado o poder com todo o apoio do capitalismo internacional, a ponto de uma vez alcançado o poder, ter sido agraceado como o único país a ter perdoado a sua dívida externa, mesma a assim não escapou do desastre social que foi o fim das políticas sociais legados pelos partidos comunistas-bolchevistas no poder no leste europeu e Rússia. Isso a grande imprensa ignora, o grande fracasso social que foi o fim do “socialismo real” na Europa oriental e o grande sucesso deste mesmo “socialismo real” na China, apesar de suas reais distorções stalinistas.

Mas 2010 é o ano crucial, mais uma vez a esquerda brasileira é acometida de um profunda irresponsabilidade histórica ao subestimar as forças sociais contrárias e a de não criar nenhuma alternativa de prevenção, resistência e combate a um possível golpe. Porque se este país cair mais uma vez nas mãos de golpistas reacionários, não poderá esse governo alegar surpresa. Lula é o novo Jango, aquele que pede calma em meio da fúria, e pede fúria quando as condições de reagir não são mais possíveis.

As forças reacionárias e estacionárias querem conquistar o exército ao transformar o singelo PNAD, defensor das teses comuns, como revanchismo. Sobretudo, transformando uma comissão que vai investigar os crimes as infrações aos direitos humanos na ditadura como revanchismo. Mas isso surge dentro de um golpista do próprio governo, Jobin, que ano após ano vem provocando tensões nas relações entre militares e governo. E o que o governo faz? nada… ignora. Como pode deixar um ministério tão sensível nas mãos de um golpista? A história prova que nunca os reacionários venceram a não ser através dos erros das esquerdas que detinham o poder. Isso vale desde os jacobinos, passando pela revolução alemã de 1919 com os social-democraras operários, ao nosso estabanado Jango, e por fim o triste Lula.

O modelo golpista

O modelo golpista está claramente exposto ao mundo: o golpe de Honduras. Uma associação entre a cúpula do exército e a cúpula judiciária. Enquanto o primeiro abusa da força, o segundo a legitima. No campo civil, um extenso cerco midiático emplacável que tenta propagar a legitimação e desmoralizar qualquer resistência ao golpe. Todos esses elementos temos hoje. O que o governo faz? Talvez fosse pedir muito ao Lula ter consciência histórica, já que muitas vezes para posar de “pai dos pobres” ou novo getúlio tem de parecer “burro”, supostamente porque ele também acredita, como as elites brasileiras, que a burrice é inata a pobreza, apesar dele mesmo ser a prova em contrário. Porém, na falta de um autêntico revolucionário no poder, ou pelo menos um Brizola, antes um “pai dos pobres” do que uma “mãe dos ricos”, antes um Lula que um FHC. O grave é que o governo Lula ignora, não reage e não dá condições nenhuma de prevenção ou em última circunstância, de resistência a um golpe que a todo momento se delineia no horizonte. Nunca os meios de comunicação assumiram tão descaradamente a carapuça golpista, isso porque estão realmente desesperados. E tudo que o governo Lula faz, como fez Jango, é tentar apagar o fogo. E quando os golpistas estiverem às portas, tal como fez Jango, ele conclamará a população a resistência, no momento mais impotente e depois de todo seu trabalho de desmobilização estiver concluído no próprio golpe militar.

As ações do governo Lula, com a conquista de transferência de tecnologia na fabricação de caças, com certezam aumentaram muito a popularidade dentro do exército. E a cúpula militar, com acesso a cúpula midiática, perceberam isso; e para reverter a tendência, provocaram juntamente com seu articulador, o Nelson Jobin, o factóide do golpe. O mais alarmante disso tudo é que o FHC e o tucanato, vítimas dos militares, entraram no golpe, do modo mais cínico possível. Sem a coragem de legitimar o golpe, disse o suficiente para não impedir o desgaste do governo. Disse que o “modo foi errado”, de que gera instabilidades. Como alguém pode preferir ameaçar a democracia de um país para poder assim prejudicar politicamente um opositor?

A tática de um governo vacilante

O grande problema tático do governo Lula foi estar na defensiva sempre. Primeiramente, revisemos o passado. O primeiro governo Lula foi de estabilização com as elites, o mal fadado “terceiro mandato de FHC”. Não esqueçamos de quanto ele foi chamado de “traidor” pelos movimentos sociais. A política social de Lula era muito simples, atrair as camadas mais baixas da população(lumpesinato) através de transferência de renda enquanto amornava as relações com as elites através de sua traição política, sacrificando todo seu apoio dos setores mais ideológicos dos trabalhadores. Aos sindicatos e movimentos sociais, só sobrou o simbolismo para persistir no apoio e a esperança de que o governo Lula era um governo em disputa. E de fato era, era uma coalizão. Mas uma coalizão estacionária. Toda a grande mídia aplaudiu eufórica os expurgos do PT aos setores mais radicais, além de seu conservadorismo econômico e político. No entanto, essa calmaria não iria tão longe, e bastou um político fisiológico, inexpressivo e corrupto levantando a tese do Mensalão para que a coalizão conservadora se rompesse e as elites, que a pouco enchiam Lula de paparicos, começasse uma execração brutal… só aí Lula acordou. Percebeu que não podia mais contar com as elites, apesar de preferir continuar traindo suas bases sociais e permanecer paparicado pelas elites.

Se o Lula do primeiro mandato era um governo de centro, caindo para a direita, sem nenhum pudor, no segundo mandato se tornou um governo convictamente de centro-esquerda, mas caindo para o centro. O cerco midiático desde o mensalão foi implacável em todo esse tempo, e o esquerdismo do govenro Lula foi claramente um empurrão das elites, foi o reacionarismo que empurrou quase que contra a vontade de Lula, o governo para a esquerda. No entanto, Lula pressionado por permanentes campanhas de desestabilização, começou a agir para deixar um legado memorável… e quanto mais alcançava êxito, mais solidificava a popularidade… mas não rompeu com o neoliberalismo do BC, não construiu nenhuma alternativa pública ao monopólio capitalistas dos meios de comunicação, e mais.. em nenhum momento reforçou, conclamou ou prestigiou com ênfase a mobilização social.

Seu governo não foi uma conquista política para a classe trabalhadora, ela sai do governo Lula menos consciente, menos combativa e mais desmobilizada. Se o Lula I deixou subir a sua cabeça os paparicos da elite, o Lula II deixou subir a sua cabeça a auto-exaltação, ele acredita encarnar a classe trabalhadora, e por isso acredita que sua vitória pessoal é a própria classe vencendo. Lula II é o Luis XIV da classe trabalhadora, e a classe trabalhadora não podia fazer nada porque era isso ou algo pior. A esquerda ou se associara ao moderantismo do PT ou se rebelava facciosamente ou sectariamente. Sem alternativas o trabalhador teve que apoiar, sustentar e defender esse governo. O Lula deixará os trabalhadore ssem um meio de comunicação forte que os defenda, sem uma sinalização clara em direção a esquerda, com uma candidata técnica ao modo tucano, e desarmados. Na Guerra Civil espanhola, as únicas cidades aonde os trabalhadores venceram os fascistas, foi onde os republicanos armaram os sindicatos. Aprenda com a história lula!

Um governo de esquerda que está loteado com forças conservadoras, aonde o ministro da Defesa é um franco atirador dos golpistas, aonde o presidente do Banco Central aumenta os juros em plena auge da crise e 2008, quando o mundo inteiro baixava. Agora, em mais uma escalada golpista, Lula tenta resolver nos bastidores, para salvar a pele dos torturadores. Se Lula retroagir, será uma vitória dos golpistas, pois encorajarão a eles a tomar mais iniciativas e fazer mais ameaças.

Lula, ao romper com a esquerda e jogá-la no descrédito, retirou das elites o único medo que ela tinha de tentar atacar o seu governo: a radicalização do governo. Ao isolar e romper com a extrema esquerda, que em bloco estão criticando o Lula com os mesmos argumentos da direita, por puro ressentimento. Se o Lula reabilitar suas relações com a extrema-esquerda(dando inclusive cargos no governo), com os movimentos sociais(defendendo sua mobilização) e com um discurso socialista(reconquistando a classe média ideológica)… mais uma vez conseguirá manter as elites em seus devidos lugares. Se ele realmente quer amenizar a luta de classes, essa é a única forma digna de fazê-lo. Fora isso… será mais uma crônica de uma morte anunciada.

O que o governo Lula deveria fazer?

Primeiramente, fazer uma declaração dura e inequívoca a favor dos direitos humanos, colocando ponto por ponto cada posição, tornando público documento que nenhum meio de comunicação colocou, e tratar caso a caso demonstrando que em todos os regimes democráticos que passaram por ditaduram, investigaram em democracia os crimes cometidos nessa época.

Em seguida fazer uma advertência dura aos militares simpatizantes que no exército brasileiro não será tolerado qualquer simpatia a ditadura militar, e que qualquer simpatizante de golpista será apartado da instituição, pois o exército serve a democracia. E que não admite nenhuma ameaça de setores reacionários do exército que não tem nenhuma legitimidade para tomar nenhuma ação política, pois não foram eleitos a nada!

Depois deixar claro que não aceitará igualar torturadores e ditadores com aqueles que lutaram em armas contra a ditadura militar; que repudia com firmeza qualquer designação infamante como terrorista a todos que deram suas vidas pela democracia.

E por fim deixar a mensagem central:

“Vivemos em plena democracia, total e irrestrita. Os grandes meios de comunicação conservadores usam paradoxalamente da mesma liberdade de expressão e imprensa que afirmam não existir, para nos caluniarem. Aceitamos todas as críticas, queremos todas as críticas que denunciem os males de nosso país, porque queremos combater cotidianamente para resolvê-los. Mas esses buscam unicamente a desestabilização da democracia tão ardorosamente conquistada, inclusive com a vida daqueles que chamam de ‘terrorista’, muitos deles barbaramente torturados”.

“Vivemos em plena democracia, e fazemos um governo o mais diversificado possível. E como tal temos conciência que muitos setores das nossas bases sociais nos criticam por isso. Assumimos o ônus de fazer um país para todos, inclusive para aqueles que sempre estiveram no poder. Assumismo esse ônus como forma de amenizar as tensões de classes e alcançar com o máximo de pacifismo as melhorias sociais possíveis nesse contexto”.

“Vivemos em plena democracia no mundo, nunca houve tanta democracia espalhada no mundo como hoje. Porém, observamos que forças reacionárias arcaicas estão mobilizando setores conservadores do judiciário, do exército e dos meios de comunicação, para abater governos legitimamente eleitos, como ocorreu em Honduras. Não aceitaremos, e mandaremos aqui uma mensagem forte e bem clara para esses setores: não nos ameaçem! se ousarem ameaçar, responderemos com mobilização social! Se apelarem para as armas, resistiremos em armas em punho! E eu, presidente desta república, não abandonarei o meu mandato, a não ser morto em combate.”

“Evitaremos com todas as nossas forças o agravemento dessa crise, mas quero dizer claramente aos golpistas: responderemos, resistiremos e venceremos. Não farei como Getúlio que deu um tiro no peito, nem como Jango que preferiu fugir para evitar um banho de sangue. Esse banho de sangue veio de toda forma nos porões do DOPs e na usurpação da democracia. Saibam todos: dessa vez resistiremos até o fim. Sabemos que contamos com a maioria da sociedade, das forças armadas, dos trabalhadores e estudantes”.

“Até agora fizemos um governo de paz social, e continuaremos a fazê-lo até o limite de nossas possibilidades, mas que saibam os golpistas que estamos preparados contra qualquer coisa, estamos preparados para tudo, inclusive para uma guerra civil! Lutaremos para defender a democracia, de todas as formas”.

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Written by ocommunard

13 de janeiro de 2010 às 16:17

Publicado em Política

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