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Políticas, economias e ideologias

Archive for janeiro 2010

Haiti e o julgamento da história

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A alguns dias um religioso americano declarou, frente a catastrofe humana que ocorreu no Haiti, que os haitianos haviam feito um pacto com o demônio para se libertarem da França, e por isso o país é sacodido por tragédias e mais tragédias: pobreza, ditaduras, instabilidades, guerra civil, etc. A esse infame e calhorda homem de deus, só podemos lamentar o grau de estupidez a que esse império americano alcançou a ponto de dar voz a essa cretinice revoltante frente a uma tragédia humana que talvez não tenha pararelo na história. Mas a história, em seu juízo implacável, mostra bem a face de que demônio pairou sobre esse pobre país.

Revisitando a história

Haiti foi o primeiro país do mundo moderno a abolir a escravidão negra através de uma insurgência de negros contra a dominação francesa em 1803. Esse grande feito lhe custou um grande preço de sangue pelos que não queriam que o exemplo se expandisse. Já em 1804 os escravagistas europeus e americanos impuseram um bloqueio comercial por 60 anos, iniciando assim o longo processo de asfixiamento econômico do haiti. Em seguida, cercado pelas tropas francesas, aceitou pagar uma indenização de 150 milhões de francos, depois reduzida para 90 milhões, o suficiente para arrasar ainda mais a já pobre economia haitiana. Em 1814 a espanha reocupa a parte oriental(República Dominicana) dividindo assim o país. Houve ainda uma reunificação efêmera entre 1822 a 1844, que terminou com a independêncida da República Dominicana.

Do fim do século XIX ao começo do século XX nesse clima de esgotamento economico houve muita instabilidade politica, com 16 governantes depostos. EUA ocupa o Haiti entre 1915 a 1934, alegando proteger interesses próprios! Em 1957 a 1971, o famigerado Papa Doc, apoiado pelos americanos no contexto da Guerra Fria, impõe uma das mais hediondas e sanguinolentas ditaduras da história recente. Em 1986 morre, sendo sucedido pelo filho, o Baby Doc, que sob crescentes protestos populares foge para França.

O país mais uma vez se contorce em instabilidades políticas, golpes, fraudes, até quem em 1990 é eleito democraticamente um padre ligado a Teologia da Libertação, Jean Bertrand Aristide. Parecia naquele momento a redenção do país. Mas um ano depois sofre um golpe militar, se exilando nos EUA. ONU e OEA impõe sansões econômicas para pressionar o retorno de Aristide, mas sob um país já economicamente arrasado A pressão internacional só tem efeito em 1994(no governo Clinton) com uma força militar multinacional para reempossar Aristide.

Aristide se reelege em 2000, há acusações de fradues por parte da oposição, em 2004 setores afastados do exercito, ligado ao ditador Papa Doc(tontons macoutes), organizam um levante que vai dominando o norte do país. Começa se organizar uma resistência armada na capital do país. Mas antes, os EUA, do governo Bush, intervêem tranferindo Jean Bertrande Aristide, contra a própria vontade, para um exílio na Afríca do Sul. Fato pouquíssimo divulgado pela imprensa. O presidente do Supremo Tribunal é empossado, e uma força multinacional militar liderada pelo Brasil (governo Lula), passa a trabalhar pela estabilização do país.

Tribunal da História

E é nesse contexto, que ocorre a calamidade natural do terremoto que destruiu o país. Não nos enganemos, a grande calamidade pelo qual sofre o país não é natural, pois nos lembremos bem da devastação que provocou nos EUA o furacão katrina, e mesmo assim tudo já foi construído. Há na diferença desses dois contexto o grande abismo entre um país imensamente rico e um imensamente pobre. E é chocante as imagens em que vemos as pessoas comendo barro para matar a fome. Mas sobretudo, nos lembremos quem foram aqueles que em toda a história do Haiti independente, vem asfixiando, destruíndo e massacrando a economia do país. E quem foi que apoiou o período mais sangrento da história do país governado pelo Papa Doc, cujo seus asseclas foram responsáveis pela tentativa de golpe em 2004 pelo qual mergulhou o país em mais uma onda de conturbação política.

A dívida de sangue pelo qual mergulhou o país só tem como devedor toda a Europa e EUA. No século XX, sem dúvida, foi o estado americano que teve suas mãos sujas do sangue haitiano, com suas invasões, intervenções e o apoio ao sanguinário Papa Doc. E o que esses criminosos fazem é desmoralizar um país mergulhado numa calamidade cujo são totalmente responsáveis. Se houve um “demônio” na história haitiana foi o imperialismo europeu e americano, sobretudo o último. Esse “demônio” não precisou de um pacto para transformar esse país em uma calamidade permanente.

Hoje, no governo americano, temos um presidente negro, que por sua formação sugeriria um certo conhecimento histórico. Ou talvez não, tudo que leia não vá além do que a velha ideologia de dominação americana: “o destino manifesto”, ou simplesmente tenha se curvado pela conveniência. Esse presidente negro nada tem a ver com os presidentes negros do Haiti, o primeiro lançaram na história a certeza de que a liberdade não tem preço, o segundo a vende por qualquer oportunismo. Obama já traiu, e mesmo que amanhã defenda a revolução socialista internacional, não terá mais como resgatar tudo destruiu por sua traição, sobretudo no que concerne com o compromisso de paz e com a relação respeitosa com os governos de esquerda latinoamericanos.

A culpa com certeza não é do demônio, nem de deus, nem dos haitianos… se os meios de comunicação vendidos acobertam os culpados com uma nuvem de fraudes, o culpado se desnuda na história. Mas ainda que o culpado esteja ao norte, a responsabilidade, meus caros, é de todos. Ajudemos os nossos camaradas haitianos, para demonstrarmos aos asseclas da política imperialista e a nós mesmos que a solidariedade internacional é mais forte do que a exploração entre países.

Um pequeno esforço para uma grande ajuda

No mundo hoje há algo em torno de 3 bilhões de trabalhadores assalariados, se todos nós aceitássemos descontar em folha apenas 1 euro, não mais que isso… pelo tempo necessário para reconstrução do Haiti, teríamos uma ajuda mensal de 3 bilhões de euro para aquele povo. O que seria uma ajuda maior do que qualquer governo ofereceu, e maior do que a soma de todos os governos podem oferecer. Ou se aceitássemos mais do que 1 euro, pagar 1% do que ganhamos em folha. Poderíamos arrecadar muito mais, talvez chegar aos 10 bilhões. Faríamos história com a solidariedade dos trabalhadores a um país consumido por um calamidade natural e por um passado de agressões sofridas por potências estrangeiras. Esses valores são ínfimos para cada um de nós, não nos fariam falta absolutamente, mas pelo conjunto de seu volume, seria uma ajuda monumental. Os recursos seriam remanejados diretamente para uma conta bancária da ONU. O desconto em folha de pagamento garantiria a constância que as doações ocasionais não ofereceriam.

Written by ocommunard

18 de janeiro de 2010 at 13:38

Publicado em Política

2010: A nova escalada golpista no factoide do PNAD

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Ano de 2010, ultimo ano do governo altamente popular de esquerda, o governo Lula. Primeiro governo de esquerda da história brasileira. O segundo presidente operário da história da humanidade. E o único operário que alcançou o poder com os comunistas, e não contra os comunistas, como ocorreu com Walessa. Apesar de Walessa ter alcançado o poder com todo o apoio do capitalismo internacional, a ponto de uma vez alcançado o poder, ter sido agraceado como o único país a ter perdoado a sua dívida externa, mesma a assim não escapou do desastre social que foi o fim das políticas sociais legados pelos partidos comunistas-bolchevistas no poder no leste europeu e Rússia. Isso a grande imprensa ignora, o grande fracasso social que foi o fim do “socialismo real” na Europa oriental e o grande sucesso deste mesmo “socialismo real” na China, apesar de suas reais distorções stalinistas.

Mas 2010 é o ano crucial, mais uma vez a esquerda brasileira é acometida de um profunda irresponsabilidade histórica ao subestimar as forças sociais contrárias e a de não criar nenhuma alternativa de prevenção, resistência e combate a um possível golpe. Porque se este país cair mais uma vez nas mãos de golpistas reacionários, não poderá esse governo alegar surpresa. Lula é o novo Jango, aquele que pede calma em meio da fúria, e pede fúria quando as condições de reagir não são mais possíveis.

As forças reacionárias e estacionárias querem conquistar o exército ao transformar o singelo PNAD, defensor das teses comuns, como revanchismo. Sobretudo, transformando uma comissão que vai investigar os crimes as infrações aos direitos humanos na ditadura como revanchismo. Mas isso surge dentro de um golpista do próprio governo, Jobin, que ano após ano vem provocando tensões nas relações entre militares e governo. E o que o governo faz? nada… ignora. Como pode deixar um ministério tão sensível nas mãos de um golpista? A história prova que nunca os reacionários venceram a não ser através dos erros das esquerdas que detinham o poder. Isso vale desde os jacobinos, passando pela revolução alemã de 1919 com os social-democraras operários, ao nosso estabanado Jango, e por fim o triste Lula.

O modelo golpista

O modelo golpista está claramente exposto ao mundo: o golpe de Honduras. Uma associação entre a cúpula do exército e a cúpula judiciária. Enquanto o primeiro abusa da força, o segundo a legitima. No campo civil, um extenso cerco midiático emplacável que tenta propagar a legitimação e desmoralizar qualquer resistência ao golpe. Todos esses elementos temos hoje. O que o governo faz? Talvez fosse pedir muito ao Lula ter consciência histórica, já que muitas vezes para posar de “pai dos pobres” ou novo getúlio tem de parecer “burro”, supostamente porque ele também acredita, como as elites brasileiras, que a burrice é inata a pobreza, apesar dele mesmo ser a prova em contrário. Porém, na falta de um autêntico revolucionário no poder, ou pelo menos um Brizola, antes um “pai dos pobres” do que uma “mãe dos ricos”, antes um Lula que um FHC. O grave é que o governo Lula ignora, não reage e não dá condições nenhuma de prevenção ou em última circunstância, de resistência a um golpe que a todo momento se delineia no horizonte. Nunca os meios de comunicação assumiram tão descaradamente a carapuça golpista, isso porque estão realmente desesperados. E tudo que o governo Lula faz, como fez Jango, é tentar apagar o fogo. E quando os golpistas estiverem às portas, tal como fez Jango, ele conclamará a população a resistência, no momento mais impotente e depois de todo seu trabalho de desmobilização estiver concluído no próprio golpe militar.

As ações do governo Lula, com a conquista de transferência de tecnologia na fabricação de caças, com certezam aumentaram muito a popularidade dentro do exército. E a cúpula militar, com acesso a cúpula midiática, perceberam isso; e para reverter a tendência, provocaram juntamente com seu articulador, o Nelson Jobin, o factóide do golpe. O mais alarmante disso tudo é que o FHC e o tucanato, vítimas dos militares, entraram no golpe, do modo mais cínico possível. Sem a coragem de legitimar o golpe, disse o suficiente para não impedir o desgaste do governo. Disse que o “modo foi errado”, de que gera instabilidades. Como alguém pode preferir ameaçar a democracia de um país para poder assim prejudicar politicamente um opositor?

A tática de um governo vacilante

O grande problema tático do governo Lula foi estar na defensiva sempre. Primeiramente, revisemos o passado. O primeiro governo Lula foi de estabilização com as elites, o mal fadado “terceiro mandato de FHC”. Não esqueçamos de quanto ele foi chamado de “traidor” pelos movimentos sociais. A política social de Lula era muito simples, atrair as camadas mais baixas da população(lumpesinato) através de transferência de renda enquanto amornava as relações com as elites através de sua traição política, sacrificando todo seu apoio dos setores mais ideológicos dos trabalhadores. Aos sindicatos e movimentos sociais, só sobrou o simbolismo para persistir no apoio e a esperança de que o governo Lula era um governo em disputa. E de fato era, era uma coalizão. Mas uma coalizão estacionária. Toda a grande mídia aplaudiu eufórica os expurgos do PT aos setores mais radicais, além de seu conservadorismo econômico e político. No entanto, essa calmaria não iria tão longe, e bastou um político fisiológico, inexpressivo e corrupto levantando a tese do Mensalão para que a coalizão conservadora se rompesse e as elites, que a pouco enchiam Lula de paparicos, começasse uma execração brutal… só aí Lula acordou. Percebeu que não podia mais contar com as elites, apesar de preferir continuar traindo suas bases sociais e permanecer paparicado pelas elites.

Se o Lula do primeiro mandato era um governo de centro, caindo para a direita, sem nenhum pudor, no segundo mandato se tornou um governo convictamente de centro-esquerda, mas caindo para o centro. O cerco midiático desde o mensalão foi implacável em todo esse tempo, e o esquerdismo do govenro Lula foi claramente um empurrão das elites, foi o reacionarismo que empurrou quase que contra a vontade de Lula, o governo para a esquerda. No entanto, Lula pressionado por permanentes campanhas de desestabilização, começou a agir para deixar um legado memorável… e quanto mais alcançava êxito, mais solidificava a popularidade… mas não rompeu com o neoliberalismo do BC, não construiu nenhuma alternativa pública ao monopólio capitalistas dos meios de comunicação, e mais.. em nenhum momento reforçou, conclamou ou prestigiou com ênfase a mobilização social.

Seu governo não foi uma conquista política para a classe trabalhadora, ela sai do governo Lula menos consciente, menos combativa e mais desmobilizada. Se o Lula I deixou subir a sua cabeça os paparicos da elite, o Lula II deixou subir a sua cabeça a auto-exaltação, ele acredita encarnar a classe trabalhadora, e por isso acredita que sua vitória pessoal é a própria classe vencendo. Lula II é o Luis XIV da classe trabalhadora, e a classe trabalhadora não podia fazer nada porque era isso ou algo pior. A esquerda ou se associara ao moderantismo do PT ou se rebelava facciosamente ou sectariamente. Sem alternativas o trabalhador teve que apoiar, sustentar e defender esse governo. O Lula deixará os trabalhadore ssem um meio de comunicação forte que os defenda, sem uma sinalização clara em direção a esquerda, com uma candidata técnica ao modo tucano, e desarmados. Na Guerra Civil espanhola, as únicas cidades aonde os trabalhadores venceram os fascistas, foi onde os republicanos armaram os sindicatos. Aprenda com a história lula!

Um governo de esquerda que está loteado com forças conservadoras, aonde o ministro da Defesa é um franco atirador dos golpistas, aonde o presidente do Banco Central aumenta os juros em plena auge da crise e 2008, quando o mundo inteiro baixava. Agora, em mais uma escalada golpista, Lula tenta resolver nos bastidores, para salvar a pele dos torturadores. Se Lula retroagir, será uma vitória dos golpistas, pois encorajarão a eles a tomar mais iniciativas e fazer mais ameaças.

Lula, ao romper com a esquerda e jogá-la no descrédito, retirou das elites o único medo que ela tinha de tentar atacar o seu governo: a radicalização do governo. Ao isolar e romper com a extrema esquerda, que em bloco estão criticando o Lula com os mesmos argumentos da direita, por puro ressentimento. Se o Lula reabilitar suas relações com a extrema-esquerda(dando inclusive cargos no governo), com os movimentos sociais(defendendo sua mobilização) e com um discurso socialista(reconquistando a classe média ideológica)… mais uma vez conseguirá manter as elites em seus devidos lugares. Se ele realmente quer amenizar a luta de classes, essa é a única forma digna de fazê-lo. Fora isso… será mais uma crônica de uma morte anunciada.

O que o governo Lula deveria fazer?

Primeiramente, fazer uma declaração dura e inequívoca a favor dos direitos humanos, colocando ponto por ponto cada posição, tornando público documento que nenhum meio de comunicação colocou, e tratar caso a caso demonstrando que em todos os regimes democráticos que passaram por ditaduram, investigaram em democracia os crimes cometidos nessa época.

Em seguida fazer uma advertência dura aos militares simpatizantes que no exército brasileiro não será tolerado qualquer simpatia a ditadura militar, e que qualquer simpatizante de golpista será apartado da instituição, pois o exército serve a democracia. E que não admite nenhuma ameaça de setores reacionários do exército que não tem nenhuma legitimidade para tomar nenhuma ação política, pois não foram eleitos a nada!

Depois deixar claro que não aceitará igualar torturadores e ditadores com aqueles que lutaram em armas contra a ditadura militar; que repudia com firmeza qualquer designação infamante como terrorista a todos que deram suas vidas pela democracia.

E por fim deixar a mensagem central:

“Vivemos em plena democracia, total e irrestrita. Os grandes meios de comunicação conservadores usam paradoxalamente da mesma liberdade de expressão e imprensa que afirmam não existir, para nos caluniarem. Aceitamos todas as críticas, queremos todas as críticas que denunciem os males de nosso país, porque queremos combater cotidianamente para resolvê-los. Mas esses buscam unicamente a desestabilização da democracia tão ardorosamente conquistada, inclusive com a vida daqueles que chamam de ‘terrorista’, muitos deles barbaramente torturados”.

“Vivemos em plena democracia, e fazemos um governo o mais diversificado possível. E como tal temos conciência que muitos setores das nossas bases sociais nos criticam por isso. Assumimos o ônus de fazer um país para todos, inclusive para aqueles que sempre estiveram no poder. Assumismo esse ônus como forma de amenizar as tensões de classes e alcançar com o máximo de pacifismo as melhorias sociais possíveis nesse contexto”.

“Vivemos em plena democracia no mundo, nunca houve tanta democracia espalhada no mundo como hoje. Porém, observamos que forças reacionárias arcaicas estão mobilizando setores conservadores do judiciário, do exército e dos meios de comunicação, para abater governos legitimamente eleitos, como ocorreu em Honduras. Não aceitaremos, e mandaremos aqui uma mensagem forte e bem clara para esses setores: não nos ameaçem! se ousarem ameaçar, responderemos com mobilização social! Se apelarem para as armas, resistiremos em armas em punho! E eu, presidente desta república, não abandonarei o meu mandato, a não ser morto em combate.”

“Evitaremos com todas as nossas forças o agravemento dessa crise, mas quero dizer claramente aos golpistas: responderemos, resistiremos e venceremos. Não farei como Getúlio que deu um tiro no peito, nem como Jango que preferiu fugir para evitar um banho de sangue. Esse banho de sangue veio de toda forma nos porões do DOPs e na usurpação da democracia. Saibam todos: dessa vez resistiremos até o fim. Sabemos que contamos com a maioria da sociedade, das forças armadas, dos trabalhadores e estudantes”.

“Até agora fizemos um governo de paz social, e continuaremos a fazê-lo até o limite de nossas possibilidades, mas que saibam os golpistas que estamos preparados contra qualquer coisa, estamos preparados para tudo, inclusive para uma guerra civil! Lutaremos para defender a democracia, de todas as formas”.

Written by ocommunard

13 de janeiro de 2010 at 16:17

Publicado em Política

Prévias: Uma Carta Aberta Para as Esquerdas

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Colocar o futuro do país nas mãos de uma sucessão criada por indicação pessoal do presidente e que nunca concorreu a nenhuma eleição? Isso é brincar com o futuro dos trabalhadores. Não temos contra a Dilma qualquer reserva, ainda que tenhamos todas as reservas contra Ciro Gomes, que chegou a se mostrar mais inclinado a ser vice de Aécio do que da Dilma, e que não pensa duas vezes em desmoralizar a esquerda com seus apoios incondicionais ao decadente tucano Tasso Jereissati. Como confiar em alguém que coloca uma relação pessoal acima do futuro políticos dos trabalhadores brasileiros?

O movimento do PT hoje envergonha suas bases sociais e históricas, está mais interessado em estender o horário eleitoral se acasalando incondicionalmente ao PMDB e a reforçar o individualismo apostando no “culto a personalidade” de Lula; do que aproveitar a melhor oportunidade histórica de fazer de 2010 uma grande vitória do campo da esquerda, rompendo com os limites que um governo sem maioria parlamentar provocou ao governo Lula. Nas últimas eleições os trabalhadores brasileiros deixaram claramente sua tendência a esquerda, sua conscientização política, sua adesão as teses socialistas. No entanto, os partidos de esquerdas, sobretudo o PT, ao invés de reforçarem sua ousadia, aprofundarem seu compromisso, se fortalecerem socialmente, se afastam em um processo cada vez mais escancarado de traição política.

A prévia seria a única ferramenta de se conquistar todas as potencialidades do momento que vivemos. Primeiramente, ela serviria para reaproximar e rearticular em um congresso pluripartidário, todo o espectro da esquerda, que vai da esquerda do PMDB(Requião) até a extrema esquerda do PSTU. A função do congresso interpartidário é formar um programa de reforma social e testar com total democracia todos os pretendentes a candidatos. Esse teste é fundamental para por a prova as condições pessoais da representação do bloco de esquerda, para não termos surpresas. A conferência interpartidária da esquerda deve ser claramente um elemento catalizador de um programa e de um candidato.

Seja qual for o pré-candidato que vença as prévias, sairá mais forte. Pois terá a adesão de todos os partidos de esquerda, haverá o reanimamento da militância, haverá o resgate do enraizamento social da esquerda, haverá um programa claro. Não só fortalecerá o combate eleitoral, por ser o candidato mais preparado para o debate; mas sobretudo, oferecerá aos trabalhadores uma proposta concreta de avanços sociais.

As prévias com a participação de todos os partidos de esquerda, além de todos os movimentos sociais, de todas as organizações civis representativas dos trabalhadores manuais, intelectuais, agrários, urbanos, civis, públicos, etc. Toda essa grande representatividade dará ao candidato já um fato político de extrema reelevância ao resultado eleitoral. Seja qual for o candidato, que vencerá por ser o melhor preparado para o debate, para representar o programa de esquerda eleito, por ser o mais representativo das forças sociais, ele já entrará em campanha com toda a legitimidade de uma aclamação de todas as forças sociais progressistas.

Espero realmente que essa carta aberta desse modesto blog possa encontrar alguma ressonância e assim, contribuir para que 2010 não seja um retrocesso, mas uma grande vitória histórica, uma grande revolução democrática social.

Written by ocommunard

1 de janeiro de 2010 at 16:38

Publicado em Ideologia, Política