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Políticas, economias e ideologias

O que é esse neosocialismo?

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Se o socialismo do século XIX não ia além da utopia, nostalgia ou filantropia(vide Manifesto Comunista); e a do século XX se deteu na luta pelo poder, o socialismo do século XXI surge com alguns elementos fundamentais. Primeiramente, seu fundamento democrático. Não se trata apenas do respeito a democracia, mas de como a democracia se apresenta como uma permanente pedagogia política, a forma política da luta de classes. A pressão que os governos de esquerda sofrem das classes dominantes, através dos grandes meios de comunicação capitalistas, assediando constantemente o exército e os trabalhadores, colocou o regime de partido único como uma lei de sobrevivência no século XX.

No entanto, a tese que afirma que o desenvolvimento das forças produtivas levam ao socialismo se confirma com a revolução comunicativa da internet. A ciranda midiática que prenunciava os golpes militares agora é permanentemente rompida com a livre comunicação da internet. A calúnia é desarmada antes de explodir ou de causar grandes estragos. Assim, a democracia permanece sem a tirania da burguesia, que não mais monopoliza os meios de comunicação. Antes, os governos proletários tinham duas opções, ou acabavam com a liberdade de imprensa(monopolizada pela burguesia) ou sofriam golpes militares(incintada pela imprensa burguesa). É nisso que se resume o século XX. Com a internet e o contexto internacional hegemonicamente democrático, as tentativas de escalada golpista frequentemente morrem na práia.

Assim, o neosocialismo não só é democrático, mas como é cada vez mais democrático, é a democracia radical. Isso se vê com a tendência aos avanços da democracia direta, as organizações de bairro, no orçamento participativo, os conselhos civis… tudo leva a crer que a democracia representativa se aprofunda em democracia apresentativa, direta. O cínico discurso burguês pseudo-democrático apenas aprofunda e incentiva essa radicalização da democracia. A democracia que é forma, assume seu conteúdo autêntico no socialismo, essa tendência era rompida com golpes militares sazonais. E a contradição que detinha a democracia nas rédeas da burguesia, o monopólio dos meios de comunicação, agora se diluem com a revolução da web. A web não só é uma ferramenta de desmascaramento deste meio de comunicação burguês, mas demole seus fundamentos econômicos com a concorrência com notícias gratuitas além do jornalismo informal dos blogs, sites, redes sociais, etc. Demole política e economicamente, e dessa forma desmascara política e economicamente a anatomia política e econômica dessa mídia.

O neosocialismo assim caminha com a democracia, a internet e o desenvolvimento. O terceiro ponto foi descoberto com os efeitos sentidos das políticas sociais, como o bolsa família. Eles criaram um mercado interno, que provocou uma círculo virtuoso de crescimento, distribuição e emprego. O neosocialismo rompe com a lógica colonialista de uma economia voltada para exportação, que nada mais é do que a herança colonial de uma economia de matéria-prima voltada para suprir a metrópole. Essa nova política, ao se centralizar no mercado interno através da distribuição de renda e seus efeitos, promove uma concreta emancipação nacional que ao mesmo tempo que melhora as condições sociais da nação promove o seu modelo para o resto do mundo em razão de seu sucesso, rompendo com as relações de dependência externa e auto-insignificância política. Dessa forma, corta a relação de dominação internacional que predomina nas relações das economias desenvolvidas como parasitárias das economias subdesenvolvidas, na mesma lógica do pacto colonial, comprando matéria-prima e revendendo produto manufaturado.

Nesse aspecto o neosocialismo vem ainda cumprir a nossa devedora independência nacional, o nacionalismo real (não meramente político). E não se trata de se fechar. A internacionalização econômica segue dois paradigmas: a globalização e a integração. A primeira consiste em uma política subserviente ao capital financeiro internacional marcado pelos movimentos especulativos das bolsas de valores. A segunda consiste em uma política de integração internacional, os blocos(UE, Mercosul, etc). Essa segunda é respaudada pela democracia, pelo interesse e progresso comum dos povos.

Em suma, neosocialismo se baseia em democracia popular, social, desenvolvimentista e internacionalista. Ela sobretudo é fruto de uma nova era chamada simplesmente de sociedade da informação, aonde os níveis de escolaridade e comunicação não permite mais a burguesia livremente manipular os trabalhadores a seu bel prazer.

Mas seu ponto de choque ainda não chegou ao clímax, o tema central de uma sociedade culta e crítica: a socialização e democratização dos meios de comunicação. Mas isso talvez seja uma revolução que veremos acontecer muito em breve na Confecom – tudo leva a crer que sim.

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Written by ocommunard

26 de novembro de 2009 às 1:57

Publicado em Cultura, Ideologia

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