Communard

Políticas, economias e ideologias

Archive for novembro 2009

Digressões sobre a dialética do debate

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O socialismo do século XX muito se inspirou no ideal republicano de “público e gratuito” que conserva todas as ilusões deste. Coube aos liberais burgueses a acusação de que o “público não é gratuito”, pois a sociedade paga através de tributos. O comunismo de Marx e Engels já desvelava essa ilusão, bastava saber que aonde há trabalho há valor, portanto, não há gratuidade. E Marx sempre foi partidário de tributação direta(tarifação) do que indireta(impostos), pois isso tornava mais transparente aos trabalhadores quanto pagavam. Nesse blog venho a muito tempo defendendo essa solução.

Os neoliberais inveteradamente propagam o terrorismo anti-tributário, tentando alertar a população cada centavo a mais que ela paga por cada tributo anexo ao consumo. Coloquemos então, de lado a lado, quanto se pagaria se o serviço fosse privado e quanto se paga pelo serviço público. Porque quando temos um escola “pública e gratuita”, estamos pagando através de impostos. Isso vale para todas as instituições e obras públicas: faculdades, estradas, praças, governos, tribunais, hospitais, etc. A questão é que quando é público, sempre é demasiado caro porque serve por leis da política, e quando é privado, não – porque o preço é sempre resultado das leis da economia.

Coloquemos então quanto custa um universitário público custeado pela sociedade, e quanto custa um universitário privado, custeado pelo próprio. O fato é o princípio do pagamento pessoal e do pagamento social, por princípio, é sempre mais barato a forma coletiva de pagamento, como qualquer forma não intermediária ou “de atacado”, ou mesmo confirmada pelas cooperativas de consumo. O fato é que o caro, o imposto, se apresentado a sociedade com pesquisas concretas, se mostrará o contrário da propaganda.

A contra-propaganda

A esquerda deve perceber essa resposta como método. Todas as aspirações burguesas são contraditórias, pois são expressões de uma sociedade contraditória, se baseiam em argumentações não-científicas, ideológicas e dependem do silêncio absoluto da réplica. É nesse ponto que deve se aprofundar o discurso da esquerda, o de se apropriar do argumento provando com os fatos que o argumento confirma o inveso que quer provar. A direita frequentemente acusa a esquerda de “sentimentalismo engênuo” em nome do “tecnicismo realista”, mas nada é mais falso e facilmente refutado, bastando apenas uma breve pesquisa histórica para desconstruir essa discriminação ideológica.

O candidato e o discurso

Assim, o candidato da esquerda tem de ter em seu discurso duas linhas argumentativas: positiva e opositiva. A linha positiva é a pragmática-ideológica. Como ideológica destaca os princípios que os rege, de uma sociedade socialmente justa, dos elementos ético-estéticos de sua política, a ousadia, o confronto, a libertação, a luta, a igualdade, a modernização, etc. Em suma, a inspiração. Como pragmática estão as linhas do programa que devem concretizar as inspirações ideológicas, como testificação política dos compromissos da candidatura. Este é o método da confrontação, pois avança sobre o candidato opositor.

Na linha opositiva estaria propriamente o método da expropriação ideológica, que é o método da subversão. Isto é, se apropria e inverte o significado apropriado, e joga contra o emissor. Nesse ponto o que vale é empírico-racional, ou mesmo o chamado materialismo dialético histórico. Se trata de tem um domínio profundo da história como conteúdo argumentativo realista. Toda a argumentação conservadora se constrói sobre um pretenso cinismo realista em que acusa as reinvindicações esquerdistas como fantasiosas. O método aqui é justamente de, no geral, desconstruir essa ilusão provando que a história comprova não que as reinvindicações são fantasiosas, mas que são os motores das transformações… pois a história é no geral o resultado das transformações geradas pelas reinvindicações passadas.

A pressuposição de todo esse texto é simples: a história está do nosso lado. Assim, a direita não lhe resta outra saída a não ser apelar para a ignorância e o preconceito em meio de uma sociedade com tanto acesso a informação e a formação. É totalmente temerário que um candidato de esquerda não saiba responder a provocações como a “queda do muro de Berlim”, a suposta falta de democracia em Cuba, a suposta vitória inconteste do capitalismo após o fim da URSS. Todos esses argumentos que primam pelo “efeito” e ignoram a história real, são facilmente desconstruídos por um candidato que saiba o que efetivamete ocorreu nessas ocasiões e do resultado trágico que a privatização generalizada gerou aonde ela foi aplicada – inclusive na América Latina.

A confrontação e subversão, quando bem trabalhadas pela esquerda, são táticas fundamentais no debate, mas se resumem apenas em um candidato com profundo conhecimento histórico. Nesse ponto, a confrontação e a subversão apenas momentos de um discurso profundamente histórico, com perspectiva e dimensão histórica. Em oposição a mesquinhez tacanha, ignorante e preconceituosa da apelação ao egoísmo esnobe que representa o discurso da direita quando são plenamente desmascarados.

Written by ocommunard

29 de novembro de 2009 at 22:32

Publicado em Cultura, Reflexão

As eleições de 2010 no Brasil : avançar ou recuar

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A democracia e a luta de classes

Marx afirmava, para surpressa dos leninistas, que o sufrágio universal(democracia), colocava em marcha a luta de classes. E o que seria a democracia senão a luta de classes e facções de classes, através de partidos, pelo poder? Alguns criticam a fragilidade partidária brasileira desconhecendo a nossa inexperiência democrática, que poucas vezes, como agora, saboreamos. Essa inexperiência democrática de nossa história, como talvez também da América Latina, consolidou meios de comunicação conservadores e um insignificante expressão comunicativa dos setores ligados aos trabalhadores. Aliás, é realmente revoltante que os mesmos meios de comunicação que apoiaram abertamente o golpe de 64 – cujo proclamaram de ‘revolução democrática’, venham hoje acusar os governos esquerdistas eleitos democraticamente de não serem democráticos.

Para elite restou o seu absolutismo midiático onde ataca agressivamente com a leviandade mais torpe e permanente o governo de esquerda. Se de um lado mostra a debilidade do governo de esquerda em criar meios de comunicação que representem os trabalhadores, por outro lado os abusos da mídia reacionária nos serve como suicídio de sua própria credibilidade. Imprensa é partidária, nasceu dos partidos, mas no Brasil o monopólio da elite se reveste de uma falsa neutralidade para retirar qualquer limites a seus abusos ideológicos, ao seu antijornalismo, que vai desde ignorar a versao da outra parte(jornalismo elementar), até chegando a injúria pura e simples. Basta lembrarmos que a principal arma do fascismo não era a repressão, era a imprensa, era Goebels.

O último lamaçal da mídia conservadora foi repercutir que Lula seria um estuprador, veja a que nível chegou a injúria!  A denúncia vinha de um ex-petista e ex-psol(partido de oposição ao PT), colunista de um jornal conservador, que com certeza ficou rico por publicar a injúria. O caluniador só lembrou agora da estória que teria ocorrido na década de 70. É coincidência que estamos um ano antes da eleição? E os jornais publicaram mesmo tendo todas as outras testemunhas desmintido o ‘caluniaísta’.

A grande batalha em 2010

Tudo isso dito é apenas para frisarmos o fundamental: 2010 é a inflexão máxima de nossa crescente luta de classes. Infelizmente mais uma vez a esquerda subestima a elite, suas permanentes investidas de desmoralização do governo, ignora sua total articulação em prol do candidato opositor, ignora que toda a grande mídia brasileira é um partido de oposição e que não tem mais nenhum escrúpulo em se apresentar assim. Responder uma articulação dessa magnitude apenas com: aliança com PMDB, fé na transferência de votos de Lula e comparação de mandatos, é brincar com o futuro do país. Será que é o PT que precisa do PMDB ou o contrário? Será que um tempo maior, que por exemplo o PMDB tinha em 89, garantiria alguma coisa? Aprender com a história!

Lula sem dúvida foi uma transição, ele desconstruiu a fábula tucana, tanto no preconceito tecnocrata, pois fez um governo mil vezes mais eficiente provando que política se faz com decisão política, e não com decisão técnica; quanto no preconceito neoliberal, porque provou que o “intervencionismo econômico”, e não o “liberalismo econômico”, que é a estratégia fundamental de desenvolvimento social e econômico – apesar de que China já seria exemplo suficiente. E provou também que assistencialismo social(bolsa família) provoca desenvolvimento econômico(mercado interno).

A candidatura Dilma será uma reedição da polarização de 1989, essa é a perspectiva fundamental, com o envolvimento social que só víamos naquela ocasião. Do lado da direita isso ocorre descaradamente, mas a esquerda permanece se neutralizando. É urgente a reaproximação com os movimentos sociais, os artistas, os desportistas, a extrema-esquerda, as universidades, intelectuais, lideranças, etc. Não aceitemos em nenhuma hipótese subestimar esse grande momento de aprofundamento ou retrocesso de um grande projeto social efetivo. Pois a batalha não é eleger Dilma, é eleger um projeto, e isso depende de um parlamento hegemonicamente de esquerda. Todos os desgastes e frustrações do governo Lula adveio da falta de base parlamentar e a necessidade de se compor com setores de centro e direita. Essa campanha tem de assumir um viés político-ideológico, e não um viés pessoal. Só assim, se garantirá não só que o projeto continue, mas sobretudo, que se aprofunde.

A direita sabe que se Dilma vencer não pesará mais sobre ela o preconceito social que estavam sempre a se aproveitar contra o Lula. Sabe que ela governará agora com recursos do pré-sal, com os programas sociais e desenvolvimentistas todos avançandos, com uma possível grande base parlamentar que dizimará o neoliberalismo do país. Isso significa que Dilma é ao menos 8 anos de governo de esquerda, que se o Lula conseguiu um êxito admirável herdando um país em crise econômica e social, e entregando um dos países mais admirados e bem sucedidos do mundo. Quanto mais a Dilma! E mais, a Dilma tem um diferencial com relação ao Lula, o que o próprio Lula reconheceu, ela tem mais firmeza ideológica que ele. Isso significa que ela não hesitará, como Lula fez várias vezes, nas transformações sociais e em enfrentar os grandes desafios do país.

Mais uma vez é fundamental frisar, Dilma tem todos os méritos para a candidatura, mas a candidatura da esquerda tem de ser conquistada mediante prévias internas, onde ela pode ou não ser confirmada. Se a própria Dilma exigir isso, não só já entrará na disputa com grande apoio em razão de suas atitude, somado ao já relevante apoio de Lula, como ainda agregará ainda mais a sua imagem a sua fidelidade a democracia – o que seria uma arma poderosa nos debates contra a oposição com seu cinismo pseudo-democrático. Indiretamente desmoralizando as outras candidaturas não-democráticas que não tiveram prévias. Sobretudo a do PSDB que provavelmente será determinada na tapetão e no tratoramento, através dos caciques tucanos.

A questão crucial é que temos que testar a candidatura em palanque, em debates, em situações reais de campanha, antes de lançá-la candidata do projeto. Cada partido com sua prévia, e por fim, uma prévia entre interpartidária da coligação. As prévias, além de oferecer uma candidatura mais consistente – pois foi testada, garantiria ainda a unidade do bloco. Dessa forma, a “questão Ciro” se resolveria, daria ele uma “saída à francesa”, e poderia se acalmar setores afoitos do PMDB que querem candidaturas próprias. A grande questão não é qual o candidato da coligação, mas a vitória da coligação. É assim que deve se mover o debate caso a coligação de centro-esquerda tiver de fato algum compromisso com a nação, e não meros interesses eleitorais.

A varíavel Ciro?

Ciro é a variável pessoal com maior impacto nesse jogo político. Vejamos… Se Ciro se candidatar ao governo de Estado de São Paulo, forçará Serra a abandonar o pleito federal, pois não trocaria o certo pelo duvidoso. Pois Ciro é a única pessoa do país que conseguiria derrotar a hegemonia paulista do PSDB. Tanto porque tem um excelente trânsito no tucanato por ser um ex-tucano e ter também bom trânsito com o DEM, quanto por ter o discurso mais bem articulado para desconstruir a farsa tucana de bom gestor. Além disso, ele teria do seu lado setores tucanos federais, pois o Aécio não seria seu opositor, dessa forma enfraquecendo a oposição tucana em São Paulo. Por outro lado, condensaria ainda o apoio de toda a esquerda unida no plano federal. Sem falar que o PSB apoiaria o PDSB caso Ciro não saísse eleito. Poderia aínda se articular com o PPS por ser também um ex-PPS. Em suma, Ciro em São Paulo seria uma real chance de derrota do ninho tucano, além de um fortalecimento dele próprio com a articulação de sua candidatura com o pleito federal. Ele fortaleceria a esquerda, enfraqueceria a direita e ainda governaria o maior Estado do país no melhor momento do país.

Vejamos o cenário oposto. Ele sai candidato a presidência, o que levaria Serra ao pleito federal. Com certeza quando começasse a crescer renasceria a espectro do “novo Collor”, que sempre o derrotou. Não conseguiria atrair os setores esquerdistas, pois esse prefeririam a Dilma por seu histórico de ex-guerrilheira, quanto também não atrairia os setores conservadores, que já elegeram Serra. Assim, permaneceria dentro de setores desarticulados que só veriam nele a oratória. O máximo que ele poderia oferecer é um consistente ataque a candidatura tucana, em favor da candidatura petista, que não se revestiria em seu favor. Mas no entanto, veria, mais cedo ou mais tarde, que teria que concorrer com a candidatura de Dilma pois estaria disputando os mesmos votos. Assim, acabaria por enfraquecer o próprio campo de que faz parte. Sua candidatura federal racharia a esquerda em todos os estados, até mesmo no Ceará onde o PT  se desligaria da sucessão do PSB  com uma ditadura própria.

Mas cada dia parece fica mais claro que Ciro está caindo na infantil provocação de Serra de que ele “só faz o que o Lula quer”. Mas o que quer o Lula? Que ele saia candidato a governado de São Paulo. Com isso Serra quer constranger ao Ciro a assumir sua candidatura presidencial, já dando a mensagem que o chamará de “pau mandado” caso aceite ser governador de São Paulo. Ou será que Serra está realmente interessado que Ciro seja independente e saia candidato à presidência, para que Ciro ganhe dele? Toda a direita está temerosa de Ciro sair em São Paulo, porque seja qual for o resultado, irá desarticular a direita. Mais uma vez repito, porque Serra faz questão de que Ciro seja candidato à presidente? Cabe ao Ciro pensar se fazendo o que seu adversário quer, estaria em verdade ajudando a sucessão da esquerda e a sua própria candidatura.

Como disse Dirceu, o principal argumento que sustentava legitimamente a candidatura presidencial de Ciro, era ele estar a frente de Dilma. No último CNT/Sensus, esse argumento caiu. A prova de que ele cedo ou tarde passaria a desestabilizar a candidatura de Dilma está no próprio comentário dessa pesquisa, que fez questão de desqualificar – mesmo sabendo que a desqualificação dessa pesquisa apenas beneficiaria Serra, que havia caído substancialmente na pesquisa. Se Ciro for realmente um político inteligente e engajado na luta política do campo da esquerda, um efetivo representante das transformações que vivemos, não poderá tomar outra decisão senão a candidatura paulista. Mas se for apenas um oportunista irresponsável e ególatra, persistirá na sua campanha presidencial.

Em 2010 perceberemos de que material é feito o sr. Ciro Gomes, de grandeza ou de baixeza. Infelizmente os fatos recentes, como nas eleições para prefeitura em Fortaleza, depõem contra ele. Mas ele agora tem mais uma vez a chance de se redimir… veremos como se sairá.

Written by ocommunard

29 de novembro de 2009 at 16:13

Publicado em Ideologia, Política

O que é esse neosocialismo?

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Se o socialismo do século XIX não ia além da utopia, nostalgia ou filantropia(vide Manifesto Comunista); e a do século XX se deteu na luta pelo poder, o socialismo do século XXI surge com alguns elementos fundamentais. Primeiramente, seu fundamento democrático. Não se trata apenas do respeito a democracia, mas de como a democracia se apresenta como uma permanente pedagogia política, a forma política da luta de classes. A pressão que os governos de esquerda sofrem das classes dominantes, através dos grandes meios de comunicação capitalistas, assediando constantemente o exército e os trabalhadores, colocou o regime de partido único como uma lei de sobrevivência no século XX.

No entanto, a tese que afirma que o desenvolvimento das forças produtivas levam ao socialismo se confirma com a revolução comunicativa da internet. A ciranda midiática que prenunciava os golpes militares agora é permanentemente rompida com a livre comunicação da internet. A calúnia é desarmada antes de explodir ou de causar grandes estragos. Assim, a democracia permanece sem a tirania da burguesia, que não mais monopoliza os meios de comunicação. Antes, os governos proletários tinham duas opções, ou acabavam com a liberdade de imprensa(monopolizada pela burguesia) ou sofriam golpes militares(incintada pela imprensa burguesa). É nisso que se resume o século XX. Com a internet e o contexto internacional hegemonicamente democrático, as tentativas de escalada golpista frequentemente morrem na práia.

Assim, o neosocialismo não só é democrático, mas como é cada vez mais democrático, é a democracia radical. Isso se vê com a tendência aos avanços da democracia direta, as organizações de bairro, no orçamento participativo, os conselhos civis… tudo leva a crer que a democracia representativa se aprofunda em democracia apresentativa, direta. O cínico discurso burguês pseudo-democrático apenas aprofunda e incentiva essa radicalização da democracia. A democracia que é forma, assume seu conteúdo autêntico no socialismo, essa tendência era rompida com golpes militares sazonais. E a contradição que detinha a democracia nas rédeas da burguesia, o monopólio dos meios de comunicação, agora se diluem com a revolução da web. A web não só é uma ferramenta de desmascaramento deste meio de comunicação burguês, mas demole seus fundamentos econômicos com a concorrência com notícias gratuitas além do jornalismo informal dos blogs, sites, redes sociais, etc. Demole política e economicamente, e dessa forma desmascara política e economicamente a anatomia política e econômica dessa mídia.

O neosocialismo assim caminha com a democracia, a internet e o desenvolvimento. O terceiro ponto foi descoberto com os efeitos sentidos das políticas sociais, como o bolsa família. Eles criaram um mercado interno, que provocou uma círculo virtuoso de crescimento, distribuição e emprego. O neosocialismo rompe com a lógica colonialista de uma economia voltada para exportação, que nada mais é do que a herança colonial de uma economia de matéria-prima voltada para suprir a metrópole. Essa nova política, ao se centralizar no mercado interno através da distribuição de renda e seus efeitos, promove uma concreta emancipação nacional que ao mesmo tempo que melhora as condições sociais da nação promove o seu modelo para o resto do mundo em razão de seu sucesso, rompendo com as relações de dependência externa e auto-insignificância política. Dessa forma, corta a relação de dominação internacional que predomina nas relações das economias desenvolvidas como parasitárias das economias subdesenvolvidas, na mesma lógica do pacto colonial, comprando matéria-prima e revendendo produto manufaturado.

Nesse aspecto o neosocialismo vem ainda cumprir a nossa devedora independência nacional, o nacionalismo real (não meramente político). E não se trata de se fechar. A internacionalização econômica segue dois paradigmas: a globalização e a integração. A primeira consiste em uma política subserviente ao capital financeiro internacional marcado pelos movimentos especulativos das bolsas de valores. A segunda consiste em uma política de integração internacional, os blocos(UE, Mercosul, etc). Essa segunda é respaudada pela democracia, pelo interesse e progresso comum dos povos.

Em suma, neosocialismo se baseia em democracia popular, social, desenvolvimentista e internacionalista. Ela sobretudo é fruto de uma nova era chamada simplesmente de sociedade da informação, aonde os níveis de escolaridade e comunicação não permite mais a burguesia livremente manipular os trabalhadores a seu bel prazer.

Mas seu ponto de choque ainda não chegou ao clímax, o tema central de uma sociedade culta e crítica: a socialização e democratização dos meios de comunicação. Mas isso talvez seja uma revolução que veremos acontecer muito em breve na Confecom – tudo leva a crer que sim.

Written by ocommunard

26 de novembro de 2009 at 1:57

Publicado em Cultura, Ideologia

Lula e Getúlio: a triste coincidência entre Olga e Battisti

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Enquanto Getúlio se equilibrava entre as tensões de um mundo radicalizado entre liberais, comunistas e fascistas, e jogou sua história na lama ao deportar Olga Benário para os nazistas, Lula já deixou claro que fará o mesmo com Battisti, que o entregará nas mãos da direita reinante na Italiana e sua esquerda oportunista. Basta que o STF, presidido por um notório reacionário, Gilmar Dantas, decida sua óbvia decisão. A decisão já está determinada, Lula adiantou que se agachará… e se seu exitoso governo que não se livrou da lama, essa será mais uma vez que se afogará nela. E talvez mais uma vez os trabalhadores brasileiros, por pura falta de opção, tenham que tapar seus narizes e seus olhos, engulir a seco, e seguir andando.

Lula, até quando teremos que aturar suas traições? Até quanto mais teremos que suportar sua incoerência? Até quando abusará de nossa paciência? Quanto mais teremos que nos rebaixar para salvar nossa opção política de alguém parece não merecer representá-la?

Nossa última esperança é que a Dilma seja melhor do que isso… pior não conseguirá, pior do que isso seria voltar a tirania medievo-financeira dos tucanos. Mas precisamos que a esquerda permaneça, que o desenvolvimento não se interrompa, que as conquistas continuem… e quantos sapos mais suportará nosso surrado estômago proletário!

Pobre Battisti! Talvez alguém algum dia vingue essa monstruosa injustiça… Perdoe-nos Battisti,  por sermos tão fracos a ponto de não defendermos nossos defensores. Mas os mesmos trabalhadores que romperam com todo o preconceito ideologio e poder economico da classe dominante, colocando no poder máximo um operário, saberão fazer justiça, cedo ou tarde. A história prova essa minha convicção. Proletários Armados pelo Comunismo, o PAC – que ironia! Companheiros seus que também foram bravamente para luta armada não se comovem? não conseguem ter o mínimo de empatia? Camarada Dilma… enfim, se renderam as conveniências, mesmo que isso não tenha feito mais do que que provocar permanente rompimento com os compromissos históricos da esquerda brasileira.

Camarada, talvez seja adeus, camarada. Saiba que ainda agora seu gesto ainda inspira pessoas, ainda comove e alerta. E da mesma forma que aquela geração que combateu a ditadura hoje estão no poder, acredito que os que hoje protestam contra essa monstruosidade jurídica um dia lhe fará a justiça que agora não terá.

Written by ocommunard

17 de novembro de 2009 at 2:15

Publicado em Política

Confererência Nacional de Comunicação: alimentando a revolução da internet

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Um espectro ronda a América Latina, o espectro do ‘esquerdismo’, todos os ‘meios de comunicação’ se uniram numa cruzada…

Quem hoje não leria o parágrafo anterior e veria nele a mais gritante atualidade. Partidos conservadores decadentes e partidarização conservadora da mídia. Como a internet poderia nos livrar dessa máfia que age descaradamente a serviço do capital?

O fato é que a internet já o faz, a internet é a única alternativa que interrompeu todas as escaladas golpistas no Brasil. A esquerda tem de ver todos os serviços que esse meio de comunicação revolucionário nos propiciou e fazer uma grande aposta nele para destruir os meios de comunicação conservadores, a maior base reacionária da América Latina, a partidária de todos os golpes militares.

A internet hoje já está provocando no mundo todo uma crise, as pessoas ou não pagam mais noticias pois tem conteúdo gratuito na internet, ou simplesmente mudaram para fontes alternativas de notícias. Essa perda de faturamento por vendas e dependência cada vez mais da publicidade, joga o jornalismo de um lado, a um perda economica(caindo a qualidade) e uma dependência maior do grande capital, seus anunciantes, isto é, seus patrões. Em suma, a internet demole economicamente o jornalismo tradicional, e com isso, desqualifica e conservadoriza o mesmo.

A esquerda deve então acelerar ainda mais o processo, e não tocar na mídia privada(para que não aleguem repressão da liberdade de expressão) e deixar que a decadência seja tão acelerada, que elas próprias (e já fazem isso) sacrifiquem sua credibilidade em sua decadência.

O que fazer?

1. Investir maciçamente em infra-estrutura de “fibra opticas”
2. Instituir um serviço básico de banda larga público gratuito como base do direito a comunicação em wireless(ar, sem fio)
3. Investir maciçamente em aparelhos de suporte a internet: ebooks, tablets, smartphones, computadores, notebooks, etc

Se o governo fizer isso, em 5 anos… a mídia conservadora será história. Porque seu faturamento cairá tão rapidamente que triplicará o processo de auto-desmoralização, que por sua vez, contribuirá para acelerar a decadência financeira.

E a estrutura tradicional como se sustentaria? A tv aberta seria assistida não mais por tvs, mas pela internet… aonde o conteúdo é acessado no horário do interesse de cada um. Quando a audiência da internet for maior que da tv, radio e imprensa, o capital ou ‘mercado’ migrará para lá. Um território aonde a concorrência não só é absoluta como é impossível de ser monopolizável, pois cada concorrente é apenas uma URL sustentada apenas pela sua credibilidade da fonte e o costume do usuário.

Em longo prazo a conversão das tecnologia destruirá o ‘aparelho’ tv, radio e o papel do jornal – esse processo já se iniciou a algum tempo. Tudo será um só aparelho que acessará a internet de onde estará todo o conteúdo multimídia: texto, audio e video.

Assim, além de imediatamente o governo investir numa tv pública que priorize o conteúdo em noticias, documentários e entrevistas (não-ficional) enquanto ‘política pública’; deve como politica social alimentar a revolução comunicativa da internet e destruir por dentro a mídia privada conservadora, de uma vez por todas.

Que a Confecom cumpra seu papel! Todos estejamos lá, maciçamente, para dar legitimidade a essa grande revolução… só com a participação maciça dos trabalhadores nessa confererência, conseguiremos fazer dela uma organização revolucionária que de fato, sobre todas as vias, democratize plenamente os meios de comunicação.

Um ponto final nessa propaganda terrorista conservadora a que estamos a tanto tempo submetidos. Esse grande dia está próximo…

Written by ocommunard

2 de novembro de 2009 at 12:14

Publicado em Política