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Políticas, economias e ideologias

A questão Ciro Gomes: implicações cruciais para 2010

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A questão Ciro Gomes está subestimada, não se calculou ainda as dimensões monumentais sobre a decisão de ele sair candidato ao governo paulista ou a presidência da república.

CIRO E O SEU ARGUMENTO
Ciro Gomes tem a sua frente pesquisas de opinião que legitimam indiscutivelmente sua pretensão, além de poder se apresentar como uma figura mais ideologicamente definida, já que foi base governista durante 8 anos (pois seu esquerdismo a 8 anos atrás parecia oportunismo, agora não mais). Sua alegação é afirmar que é arriscado apostar toda a sucessão em um único nome que todos sabem, não tem traquejo político e muitas vezes se mostrou facilmente abalável. É razoável, sem dúvida… mas a questão não estaria em ter uma dupla candidatura de base, um plano B, mas a de ter outra candidatura mais consistente. E obviamente ninguém aqui está questionando o valor de Dilma, apenas a sua viabilidade eleitoral. O melhor dos mundos seria a realização de prévias entre todos os partidos da base, até porque, do modo como está, a indicação de Dilma por Lula aparecerá como imposição.

CIRO E O JOGO POLÍTICO
Aí entra Ciro, e politicamente fez certo. Entrando como segundo candidato governista, toda a mídia conservadora desliga sua fábrica de difamações, pois é do seu interesse dividir a esquerda e levar a direita unida. Aliás, nada é tão comum a esquerda do que a divisão, assim como a derrota que ela provoca. Ciro não sabe disso? Sabe… assim, sua atitude em se manter candidato a presidência talvez vise esse arrefecimento da mídia conservadora contra seu nome e assim entrar em campanha sem o estoque de difamações da poderosa mídia conservadora do país. Talvez, com isso, ele esteja medindo forças para se consolidar como possibilidade mais viável de sucessão, ou se caso perca seu nível atual de intenção de votos, entrar com tudo na disputa paulista. Para a direita, interessa que ele permaneça com alta intenção de votos… por isso, não o atacará, por isso temos essa calmaria que não houve antes, por isso a campanha do “novo Collor” não ressuscitou.

CENÁRIOS
O que ocorreria se o Ciro de fato entrasse como segundo candidato governista à presidência? Primeiramente a divisão. E essa divisão não é somente de votos, é uma divisão política, pois quanto mais politicamente próximo estão os candidatos, mas acirrada é a disputa, pois disputam a mesma base eleitoral. E ataques da esquerda contra a centro-esquerda já existirão no campo da extrema esquerda nanica: PSOL, PSTU, PCO, etc.

A entrada de Ciro como segundo candidato atingiria diretamente três eleições. Primeiramente a mais importante, a presidencial, pois enfraqueceria a sucessão. Segundo atingiria o Ceará, pois a prefeita petista, legitimamente, afimou que o PT teria candidato próprio caso o PSB saia da aliança nacional(no Ceará o governador é o irmão de Ciro Gomes, Cid Gomes do PSB, aliado estadual do PT). E em São Paulo, porque Ciro é a ÚNICA chance de demolir a base reacionária mais forte no país, sendo ainda o candidato mais viável para dialogar com o PSDB, DEM e PPS, pois tem muitos companheiros desse campo que um dia atuou. Ciro é a única chance para acabar com o tucanato direitista. Fora isso, atingiria todas as alianças entre o PSB e o PT, seja diretamente aonde o PT tiver candidato próprio no caso do PSB sair da aliança nacional, seja indiretamente em razão das divergências entre a dupla candidatura governista.

O PSDB no RS praticamente se autodestruiu, em Minas Gerais o Fernando Pimentel(PT) tem alto índice de aprovação, e o PSB lá é aliado ao PSDB. Sem falar que é o PSDB mais progressista do país, justamente por essas alianças com os partidos progressistas. Assim, o PSDB de São Paulo é a jóia da coroa da direita, é ali que a vitória se consumaria. De lá Ciro poderia não só desconstruir o PSDB, como só ele tem condições de fazer – pois é um ex-tucano, porque tem uma crítica contundente do desmonte neoliberal, porque tem um discurso mais tecnocrático que muita agrada aos paulistanos – mais poderia ainda realizar uma sinergia entre a candidatura nacional e a estadual, reforçando e sendo reforçado pela candidatura nacional.

A entrada de Ciro em São Paulo forçaria a permanência de Serra na sucessão paulista, pois desestabilizaria o tucanato. Serra não arriscaria uma candidatura viável ao governo contra uma inviável a presidência. Com isso Ciro garantiria Aécio Neves como nome tucano a presidência.

MAIS UMA VEZ O CHILE NOS ENSINA
A hipótese de uma candidatura Ciro Gomes seria politicamente catastrófica, ainda que 80% de aprovação nos dê certa margem de confiança. Vejam o caso do Chile, nesse momento há dois candidatos governistas, pois um dos candidatos saiu do partido para se candidatar. Somando os dois, é maior que o candidato da direita, porém, é o candidato da direita que está na frente. Apesar de que Bachelet ter também uma alta aprovação popular. O que ocorre que os candidatos da centro-esquerda estão se desgastando ao se digladirarem pelos mesmos votos, e havendo segundo turno, o apoio de um a outro soaria hipócrita depois das acusações mútuas.

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Written by ocommunard

28 de outubro de 2009 às 12:55

Publicado em Eleições

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