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Políticas, economias e ideologias

O dólar e o MST

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O dólar há muito tempo é hegemônico e parece passar por um declínio paralelo ao da própria nação que a produz. O dólar foi a forma como o império se financiou, pois com uma inflação controlada consegue impor uma taxação do mundo, pois o dólar é até bem pouco tempo a única divisa internacional. Os governos captavam dólar a um valor e quando retornava aos EUA, retornava mais barato(em razão da variação da inflação). O problema do dólar como reserva internacional é o problema de ser uma moeda nacional a esse serviço, ao invés da solução keynesiana de uma moeda mundial que foi abortada pelos próprios americanos.

Mas hoje o maior fiador do dólar é a China(os capitalistas dependendo dos comunistas, irônico não?), com a maior reserva do mundo. E porque a China, por política, concorrência econômica ou prevenção, não se livra dessa moeda putrefata? Porque se o fizer, de fato dispará uma hiperinflação, mas uma queda do dólar barateará os produtos americanos ao mesmo tempo em que freia suas importações, e os EUA são os maiores importadores do mundo tanto quanto da China. Assim, a China não tem outra opção a não ser uma transição suave como está tentando sugerir. Ninguém quer o dólar forte enquanto moeda mundial, mas ninguém quer o dólar fraco enquanto concorrente comercial.

Com o IOF o governo instaura uma nova política cambial que não é simplesmente comprar e vender dólares. Essa política tem o benefício de não endividar o país e de livrar o país dessa jogatina especulativa. Separa claramente investidores de especuladores, o dinheiro bom do dinheiro mal, e com isso lança uma nova forma de regulação econômica pós-neoliberal. A IOF é a forma como o governo evitou enfrentar a herança neoliberal sem ter que se prender a herança neoliberal. É o meio termo, é a essência desse governo… esse pavor da luta de classes que levou Jango a evitar a resistência por medo do derramemento de sangue e não só jogou o país numa sanguinária ditadura, como sequer foi capaz de salvar a própria pele.

E o MST? Aqui, a direita sem ter para onde ir, emplacou a CPI do MST gritando a tragédia apocalíptica do laranjal. Encontrará alguma coisa? Claro que não… o que importa é a fábrica de suspeições que tentará arranhar a sucessão esquerdista, ou pelo menos dividí-la, se não, pel menos, em último caso, tornar o governo mais conservador. Pois, ou irá ter que defender impetuosamente o MST ou irá cair na vala comum do conservadorismo como fez ao criticar o ‘vandalismo’ do caso.

O MST é o Dólar do Lula, um governo delicadamente moderado que não quer um MST fraco nem um MST forte. Quer salvar o significado e enfraquecer o significante, quer simplesmente evitar a todo custo a luta de classes que representa. A direita jogou a cartada final, não contra ele, mas para o retirar da posição de medidador das classes. O Lula já traiu muito o seu passado para tentar permanecer nessa posição, mas essa traição não é apenas um caso, é um novo posicionamento, seja para o conservadorismo ou o radicalismo. Aqui, dificilmente haverá uma IOF para o MST. E isso definirá o futuro da esquerda nas próximas eleições, no país, na américa latina e no mundo dado o papel internacional que Lula alcançou. E a nossa esquerda morrerá no berço por anemia política.

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Written by ocommunard

22 de outubro de 2009 às 15:05

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