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Políticas, economias e ideologias

Archive for junho 2009

A entrada da Venezuela no Mercosul

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A direita já conspira abertamente na mídia contra a entrada da Venezuela no Mercosul. Em verdade, antes fosse uma conspiração, mas se trata de uma campanha aberta, uníssona e doentia. E quem é o seu porta-voz no Senado brasileiro? Se perguntasse a qualquer brasileiro o pior e mais abjeto político da história recente, sim, é ele, o primeiro e único presidente empedido(empeachment) de nossa história, nas ruas e no parlamento. Ele, Fernado Collor de Melo – o baluarte da direita.

Em uma audiência pública sobre o assunto, respaudados por dois “eméritos juristas?” – afirmava o Fernado Collor, repetindo a mesma sensabória de Bush e cia, que na Venezuela só há uma “democracia formal”, mas que o governo é efetivamente ditatorial. E que a entrada dele no Mercosul traria discórdia. Se a total falta de autoridade no tema democracia já não fosse o suficiente para contra-argumentá-lo, basta fazer a questão, o que é essa democracia não-formal? Toda democracia é formal, porque ela é meramente uma forma, um procedimento, nada mais do que isso. O que está por baixo desse discurso é que o “conteúdo” dessa democracia é inaceitável. Mas quem define esse conteúdo é o povo venezuelano e não Collor ou a burguesia estrangeira. Claro, eles não concordam. Eles se acham no direito de afirmar que um dos governos que mais se submetem ao sufrágio, isto é, definitivamente expressando a vontade do povo venezuelano, não merece ser chamado de democrático. Mas porquê? Resumem o direito de impedir a Venezuela no Mercosul apenas afirmando que segundo sua opinião “aquilo alí” é apenas uma “democracia formal”.

Celso Laffer, antigo servo do lúgubre governo FHC neoliberal (porque que o partido ainda se chama ‘social-democrata’?), afirma que as atitudes de Chavez, intempestivas, dividindo o mundo em amigos e inimigos, vai contra a tradição pacífica da diplomacia brasileira. É clara e evidente verdade que Chavez não é nem um pouco diplomático, e suas declarações beiram a ingenuidade política ou falta de tato, ou mesmo destempero. Mas as declarações de Bush eram diferentes? Não foi Bush no topo de sua arrogância imperial, que “ou estão conosco, ou estão contra nós”. Essa afirmação na boca de um Chavez(coisa que ele não disse), presidente de um pequeno país subdesenvolvido ainda que rico em petróleo, soaria um destempero; mas nas palavras de alguem que está no comando da maior potência bélica da história humana é sem dúvidas uma ameaça, uma intimidação e uma declaração de guerra. Qualquer país que não estiver de acordo é inimigo dos EUA? E o que eles fazem com seus inimigos? O governo Bush deixou claro no Iraque e no Afeganistão.

Por ultimo veio o jurista, com o argumento mais capenga. Este sr. que me recuso lembrar o nome afirmou que não se deve admitir porque Chavez representa a Venezuela, e como ele não é simpático a ele, ou em outros termos, ele não é democrático, logo não se deve admitir(ou adiar), a entrada da Venezuela no mercosul.

Os dois opinadores já deixaram em suas declarações a contra-argumentação. Celso Laffer afirmou que de fato, que os governos passam, que uma coisa era o governo Bush e outra é o governo Obama – apesar dessa declaração nunca repudiou o governo Bush como faz agora com o governo Chavez. Sim, se governos passam, sem dúvida quem vai entrar no Mercosul não é Chavez, é a Venezuela. É o povo Venezuelano que será barrado.

O tal jurista começa afirmando que o Mercosul é de natureza econômica, e não política, tal como a Unasul, que inclusive a Venezuela faz parte. Ora, se é de natureza econômica, de que importa as diferenças políticas? Mas ele acha que responde a pergunta que ele criou ao afirmar que sendo advogado de uma associação comercial e esta associação comercial é contra a entrada da Venezuela, logo nem interesse econômico existe. Ora, se a percepção de seus clientes for tão elevada quanto a dele, esse desinteresse está explicada, a simples simpatia internacional entre classes. Porque sabem que o governo Chavez não é apoiado por associações empresariais como a sua em seu país de origem.

O tal fulano jurista chega a citar a constituição no que trata a apoiar regimes democráticos – mas um ato falho, esqueceu de citar a parte que fala da “auto-determinação dos povos”. E a prova da anti-democracia de Chaves estava em base de boatos midiáticos. Para eles não importa o fato que observadores internacionais respaldassem todas as eleições até então na Venezuela. Aí volta a democracia formal… sempre haverá esse argumento porque a democracia é uma forma, e quem lhe dá o seu conteúdo são as eleições, a voz das urnas.

Falam de possíveis abusos de Chavez, no entanto, na Colômbia, há um governo que tem diversas denúncias de fraudes, perseguição, mortes, subornos, alianças com para-militares, e busca agora implementar um terceiro mandato. Porque não o expulsa do Mercosul? Porque não o critica? Tratam Chavez como desagregador, mas o único presidente que afrontou o direito internacional e invadiu territória vizinho, foi o governo colombiano, governado pelo direitista Uribe.

Eis a resposta, o conteúdo, ele é de direita… e direita no poder, para os opinadores conservadores, significa “democracia real”, “democracia estrutural” e vistas grossas. O que querem é ao atingir Chavez, tentar de alguma forma enfraquecê-lo, e favorecer a oposição. Não se trata de ser contra ou a favor de Chaves, se trata de “auto-determinação dos povos” e a “integração latino americana”, ambas constitucionais. E isolar um governo é necessariamente radicalizá-lo.

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Written by ocommunard

16 de junho de 2009 at 13:57

Publicado em Reflexão