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Políticas, economias e ideologias

Paulo Pain: esquerda+burrice=direita+vitória

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O PT já foi um partido mais vigoroso, seja socialmente, seja em sua militância, seja em sua vida interna política. Mas o sinal mais decadente desse enfraquecimento é a atual campanha aloprada do sr. Senador Paulo Pain, o grande matemático. No título já apresento uma equação que talvez ele não entenda, porque não é muito justo para ele a matemática. Escrevo aqui nesse blog, porque aparentemente ele ignorou o meu email alertando o grave erro de suas propostas “bondosas” sobre a previdência. E bastava apenas que ele se desse ao trabalho de mostrar as suas boas intenções ao colega de partido Pimentel que é ministro da previdência com trabalho intocável.

Se não bastasse essa ignorância política de sequer consultar um colega de partido que encabeça o ministério da previdência, se não bastasse o tiro pela culatra como adiante tratarei, seria suficiente para qualquer análise auto-crítica de suas boas intenções perceber quem está do seu lado nesse projeto, é justamente toda a oposição e toda a ala podre do que se chama governista, a frente desta ala está o famigerado Mão Santa, que até no nome demonstra sua sordidez. Como alguém pode sustentar um projeto sendo base do governo, tendo todo o governo contra, e tem a seu lado toda a oposição e a ala podre governista? Creio eu que somente um orgulho estúpido e terror de ser envergonhado publicamente por sua proposta idiota. Qual é a estratégia dele? Diz que tem pressões terríveis por está defendendo os aposentados. Que coisa, que seria dos aposentados sem esse Jesus cristo da terceira idade?

O que vou apresentar aqui é como o Paulo Paim e seu “projeto de lei” irão quebrar a previdência e dessa forma provar empiricamente a idéia direitista que a “ajuda social” é uma demagogia suicida. Dessa forma ele irá derrubar o governo de esquerda e ainda vai fortalecer a ideologia neoliberal anti-social. 

 

FATOR PREVIDENCIÁRIO

O que se fala contra o fator previdenciário? De que o que vale agora é o tempo de contribuição, e não o tempo de trabalho. Isso é o que o sr. Pain chama de injustiça? As mais banais contas matemáticas de qualquer primeiro grau alertaria que se a base não fosse essa, uma previdência seria insustentável. Mas digamos que ela é injusta, o modelo que o sr. Pain quer instalar é simplesmente restaurar o mesmo sistema que vigorou no regime militar e que de longe beneficiou as castas burocráticas, aos alto-escalão do estado. O que torna a previdência insustentável são as super-aposentadorias do regime estatal de previdência que são sustentadas pela a sociedade. Se o modelo fosse sempre a contribuição, mesmo as super-aposentadorias, ainda que inaceitáveis, seriam sustentáveis. Porque seu recebimento dependeria de sua contribuição.

Ora, se o critério da contribuição é insuficiente para dar uma boa aposentadoria, então que se aumente o salário mínimo, para que a contribuição aumente, e oferece uma aposentadoria maior.  Se o cálculo usado não é justo o suficiente, que modifique o cálculo. Mas modificar uma previdência de base contribuinte para uma base de tempo de trabalho, nós já sabemos, beneficia apenas a alta-burocraia do Estado, como se viu no regime militar. 

A quem interessa um regime que vigorou com os militares e que nunca ofereceu aos trabalhadores daquela época qualquer paraíso social? A quem interessa tornar insustentável a previdência e assim retornar com as políticas de “eficiência” de FHC que entre outras aumentou o período mínimo de trabalho em 5 anos? A quem interessa tudo isso justamente quando a previdência social, diferente da época do FHC e suas políticas eficientes, está superavitária? A quem interessa nesse momento torná-la deficitária mais uma vez?

 

CONFUSÃO ENTRE SALÁRIO MÍNIMO ABSOLUTO E RELATIVO

Outra proposta do digníssimo demagogo Paulo Pain é de que todo o aumento do salário mínimo seja repassado em aumento proporcional em número de salários com que o trabalhador se aposentou. Assim, se o fulano se aposentou com R$ 1.000 e se isso representa 2 salários mínimos, se caso o salário mínimo aumentar em 10%, o fulano ganhará 1.100. Mas o demagogo se deu ao trabalho de usar a calculadora? Ou mesmo de pensar os efeitos disso?

Ora, se cada 1% a mais no aumento do salário mínimo é contabilizado pelo governo como um impacto no erário, e todo aumento é administrado visando o impacto do aumento do salário mínimo nas contas públicas, e o impacto atingia todo o gasto com funcionalismo e pagamento previdenciario apenas para aqueles que ganham salário mínimo. Se todo aumento no salário mínimo é calculado na capacidade de suportar esse impacto, agora o aumento será menor ou até nulo. Porque não só abrangerá os aposentados com salário-mínimo e o funcionalismo. Mas todos os aposentados, mesmo que este ganhem 100.000,00. Ele terá a mesma taxa de aumento que o salário mínimo.

Qual o argumento desse triste “sênior”, desse golpista inconsciente, desse ex-sindicalista inconsequente, desse burguês introvertido? De que com cada aumento do salário mínimo, os que se aposentaram com x salários-mínimos vão perdendo valor… Porque? Porque com o aumento do salário-mínimo a sua aposentadoria vai valendo menos em salários-mínimos? Que estupidez! Nunca imaginei que o poder de consumo fosse determinado pela unidade “salário-mínimo”, pensei que a unidade era em reais. Ora, se fulano se aposenta com 5 s.m., e o salário mínimo = R$ 160(como no tempo do FHC), logo ganharia R$ 800, ele ganha menos do que um que hoje ganha 2 “salário mínimos”, pois este ganharia R$ 930. Assim, um salário não tem mais poder aquisitivo por ter maisnúmeros de salários mínimos. O poder so salário é determinado, primeiramente, pelo quantidade monetária vigente(valor de troca), e esta por sua vez, com a magnitude do poder de se transformar em valor de uso.

O que acontece quando o salário-mínimo aumenta, não é que aquele que ganha 2 salários mínimo ganha menos, mas apenas que aquele que ganha 1 s.m, ganha mais, é a base que se eleva, não o topo que se abaixa. No entanto, o sr. Paulo Paim quer que mesmo uma superaponsentaria de juiz que vai além dos R$ 10.000,00 receba a mesma porcentagem de aumento que receberá um assalariado que ganha o mínimo no país.

Porém, o equívoco dele e de sua política regressista vai ainda mais longe. É regressista porque o imposto progressivo cobra mais de quem tem mais, e menos de quem tem menos. No entanto, ele oferece um aumento igual para quem tem mais e para quem tem menos. Só que o agravante é anda maior, porque quando um trabalhador vai pagar a suas contas ele não paga com porcentagens, ele paga com valores absolutos. Assim, aquele que 10% de aumento sobre um salário de 465, terá apenas a mais por mês uns míseros R$ 45,6. Enquanto aquele que ganha 10 salários mínimos: R$ 4.650,00; ele ganhará acima desse belo valor, R$ 465. Ou seja, Paulo Pain está dando R$ 45,6 para alguém que ganha 465, e 465 para alguém que ganha 4.650! Isso é o que ele chama de justiça social? Ele está criando entre os aposentados uma descarada concentração de renda!

Resumindo, o seu projeto está: concentrando renda, diminuindo o espaço para aumento o salário mínimo e criando condições para desmoralizar as políticas sociais(ou até mesmo derrubar o governo), e dessa forma legitimar a ideologia neoliberal que diz que política social é ineficiente, onerosa e errada. Porque achas ele que os neoliberais de ontem que votaram no fator previdenciário, hoje votam contra? Porque acha que a oposição que sempre ironizou os gastos sociais agora se preocupa com os velhinhos? Mas não adiante, para o paladino da boa vontade, ele sempre será um crucificado por esta lutando pelos aposentados, que cclaro, ele e seus colegas se incluem.

 

LEGISLANDO EM CAUSA PRÓPRIA

Longe de mim achar que o nobre e digníssimo Paulo Paim, com seus discursos vazios e auto-congratulatórios, estar legislando em causa própria. Mais uma vez a minha hipótese é que ele está sendo carregado por uma magnânima boa intenção que o cega das coisas pútridas dos efeitos de sua lei pro-aposentados e anti-proletários.

O fator previdenciário, por exemplo. Eles, os parlamentares, tem uma boa aposentadoria, que interessante seria que cada vez que o governo aumentasse o salário mínimo, sua aposentadoria engordasse!  A conclusão que chegamos é que é chegada a hora da luta por um congresso unicameral!

Ah… e faltou um detalhe… TODO SENADOR RECEBE APOSENTADORIA APÓ SEU MANDATO !!!! Eis o segredo do amor súbito aos aposentados. Claro, não há nada mais razoável do que tratar de um assunto que terá efeito por toda sua vida. Eles trabalham 8 anos e se aposentam, e quando falam em criar uma lei que distribua o aumento do salário mínimo para qualquer valor de aposentadoria, é claro, não é sobre eles que estão falando!!! Se o PT fosse o que foi, expulsaria nesse exato momento com execração pública, esse sujeito criminoso, que é o Paulo Pain. O Delúbio Soares, por muito menos, sofreu o mesmo.

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Written by ocommunard

30 de abril de 2009 às 13:07

Publicado em Política

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