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Políticas, economias e ideologias

Obama e a esperança de mudança

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Que a crise pode ser uma oportunidade, claro, já se tornou nessa época evidente. Basta lembrar quantas mudanças fundamentais surgiram em meio da mais pesada crise. A crise demole qualquer conservadorismo. Eis o que Obama poderia fazer contando com a articulação precisa e decisiva da América Latina e o resto do mundo. Da Europa hoje não podemos esperar muita coisa dada vitória da direita em geral por aqueles lados.

1. Cuba

Para América Latina é uma questão central de sua “mudança” acabar com dois símbolos do imperialismo, chauvinismo e unilateralismo conservador-americano, ou seja, republicano: Guantânamo e o bloqueio a Cuba. Nos dias de hoje é insustentável esse absurdo que já foi muitas vezes condenado pela ONU.

2. Venezuela e Bolívia

Com relação a Venezuela e Bolívia reatar uma diálogo amistoso, de um lado desarticulando qualquer intervenção e ingerência política nesses países, e de outro, se oferecendo como aliado para uma nova relação diplomática que supere as hostilidades.

3. Colômbia

Na Colômbia, uma questão central é destruir a fascista Operação Colômbia que simplesmente transformou esse país em uma ilha fascista com perseguição de opositores, corrupção, assassinatos, desaparecidos políticos, intervenção entre os poderes. A Operação Colômbia, nada mais é(ou foi) do que uma faxada que o partido republicano criou para poder financiar a única direita no poder na América Latina servindo a Colômbia como base política, modelo e propaganda imperialista na América do Sul.

4. América Latina

Outro ponto, em nome do multilateralismo que representa como negação da política de Bush, e em nome de uma relação mais diplomática em oposição a visão belicista de Bush, reforçar a Unasul dialogando apenas com o seu coletivo, e nunca fazendo o que fez Bush, ao tentar quebrar o bloco latino americano criando relações bilaterais com cada país.

5. Oriente Médio

Com relação ao Oriente Médio tem uma oportunidade que não há dúvida que única. A possibilidade de um diálogo pacífico com os povos e regimes árabes. Não se trata tanto de justificar seus regimes, mas também de criticá-los ao retirar deles o pretexto da ameaça estrangeira como justificativa para seus regimes. Isso é possível porque é filho de mulçumanos, e isso dá uma condição moral que nenhum outro presidente americano teve ou terá. Realizar por fim a velha promessa de um Estado palestino, que estava prometido no nascido do Estado de Israel, será um feito decisivo para virar a página daquele conflito.

6. Economia

Com relação a economia, todas as políticas de redução belicista teria caráter flagrantemente econômico, ou seja, se reduziria gastos e déficits. Não adianta cair no protecionismo, porque a migração é uma questão internacional e central. O protecionismo agrícola prejudica os países pobres, piorando sua condição e impulsionando as migrações para os países ricos, sobretudo o mais rico. Mais do que isso, a política econômica tem que se fundamentar numa distribuição internacional da riqueza, contra a concentração reinante nos países ricos, como um recurso efetivo contra a questão migratória(que se estende a vários outros problemas sociais) e contra as hostilidades entre nações. Os países ricos tem de ceder espaço econômico pois caso contrário serão ameaçados de fora e inchados por dentro, e políticas repressivas não tem força estrutural. Fazem parte das “políticas fracassadas” que tanto se fala contra o Bush. 

7. O contra-imperialismo

Mas se Obama é realmente a mudança, e não apenas marketing, e realmente é inteligente para perceber a oportunidade. Deverá simplesmente abolir a organização mafiosa C.I.A. que o tentáculo político de ingerência imperialista do EUA no mundo. Ele deve fazê-lo porque simplesmente não terá opção, a CIA não vinga mais, ela está sendo freqüentemente derrotada na América Latina. E os custos de sua ingerência é uma das sangrias dos EUA. Isso sem falar das várias bases militares americanas espalhadas pelo mundo, outra sangria insustentável em meio a crise. Isso se o governo Obama for realmente a mudança, ou apenas um retórico que aproveitou do efeito moral da cor da sua pele e do contexto de crise.

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Written by ocommunard

10 de novembro de 2008 às 19:15

Publicado em Política

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