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Políticas, economias e ideologias

Archive for novembro 2008

Desconstruindo os roxos…

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 Infelizmente os meus camaradas do site “o vermelho” em uma matéria intitulada “Gorbachev e o jornal errado: ensinando a perestroika a Obama” mais uma vez arroxearam no velho stalinismo e retransmitiram um blog que tratava de ridicularizar Gorbatchov como responsável pela “destruição da URSS”. É impressionante como um homem pode destruir um país inteiro sem que seu povo nada fizesse, um povo que havia feito três revoluções seguidas e resistido a mais de 7 décadas de hostilidade das maiores potências internacionais, sobrevivido aos dois maiores exércitos do mundo contemporâneo(o exército napoleônico e o nazista), tenha caído com a canetada de um secretário geral. Vejamos essa coisa impresionante de perto na matéria da jornal cybernético supostamente “comunista”… 

Afirma que “algum tempo depois de ter destruído a União Soviética, Mikhail Gorbachev passou a viver, entre outras coisas, de palestras, seguindo o exemplo de vários colegas ocidentais”.  Passando o mote da matéria que “Ao comentar a vitória de Barack Obama a jornais de diferentes línguas, Gorbachev aconselhou-o a adotar nos Estados Unidos a sua ‘perestroika’ (‘reestruturação’), receita a seu ver infalível para reanimar Estados em grau adiantado de decomposição”. Concluindo que “Obama, de sólida formação acadêmica, sabe os efeitos que a perestroika teve na União Soviética e deve dispensar a sugestão”.

Primeira falácia: a “sólida formação acadêmica” de Obama é tão valiosa quanto a ainda mais sólida formação acadêmica de um FHC que quebrou o Brasil três vezes indo de pires na mão para o FMI. Enquanto o nosso presidente semi-letrado tem talvez o governo de melhores resultados desde JFK. Isso sem falar da superioridade no campo das políticas sociais de redução da pobreza e de valorização do trabalhador(ainda que tímidas).

Segunda falácia: a Perestróika não destruiu a URSS. Primeiramente, o que foi a destruição da URSS? O fim da nomenclatura URSS? Então, a culpa é de Boris Yeltsin(que era esse sim apoiado abertamente pelo governo americano) que fez realmente uma mera mudança de nome ao mudá-lo para CEI, foi ele que privatizou toda a economia(porque os roxos não criticam Boris Yeltsin?). Se for a crise que derrubou a URSS? Então a responsabilidade é anterior, porque a Perestroika, Glasnost e o próprio Gorbatchov surgiram justamente como tentativa de resposta a crise. A proposta da Perestroika era basicamente diminuir os gastos bélicos para usar os recursos na reestruturação da economia, quem é contra a isso era a favor de um URSS de guerra fria e nada mais. Nem mesmo se pode falar em ser a favor da URSS, mas simplesmente da Guerra Fria. Ou seriam vocês contra a política de não-intervenção(doutrina Sinatra) que teria desalojado os partidos comunistas na Europa oriental pelos trabalhadores de lá sem a contumaz repressão da URSS? Quem destruiu a URSS foi a crise que as reformas não conseguiram reverter. Gorbatchov nunca, em nenhum momento, quis o fim do socialismo, mas apenas reformá-lo. Não pode ser responsabilizado por não ter conseguido reverter a crise que reforma nenhuma conteria, porque estava entranhada na corrupção burocrática iniciada no terror stalinista. E que belo marxista são esses que tentar analisar a história através de ações individuais, nem mesmo a ideologia da historiografia burguesa é tão presunçosamente individualista assim. Não confunda comunismo com jacobinismo, meus caros!

Terceira falácia: a Perestroika visava Desocupar o Afeganistão; Negociar com os Estados Unidos da América a redução de armamento.(entre eles os acordos de Yalta); Não interferir noutros países comunistas (A Doutrina Sinatra). Se comparamos com o ideal de Obama de acabar com a guerra no Iraque, de acabar com ações unilaterais, de mudar as política intervencionistas para políticas multilaterais. Então, de fato, a Perestróika é sim bem próxima a ele. Logo, não é absurdo usá-la como exemplo. É bem cínico querer associar a queda da URSS a Perestróika e com isso mais uma vez repetir o lema stalinista de que a URSS só caiu porque abriu mão dos métodos stalinistas de repressão.

O que na China foi a reforma do “capitalismo de estado” para o  “socialismo de mercado”  se não uma Perestróika com pretenções bem mais “liberais” que a de Gorbatchov e que o site “o vermelho” só não critica porque teve bons resultado. É fácil bater em cachorro morto, mas se a perestróika “destruiu a URSS”(o que vocês querem dizer é acabou com o unipartidarismo), porque não “destruiu” a China? Eu respondo, porque o que destruiu a URSS não foi a Perestróika, mas de um lado a crise econômica, de outro a tomada do poder dos partidários de Boris Yeltsin. E mais, o que foi destruído na China e na URSS não foi o socialismo, mas a fase de acumulação primitiva que depende sempre de grande participação do Estado. Vocês não lêem Marx? Se esta tese gerasse qualquer dúvida, basta ver a tedência de simplesmente todas economias de capitalismo de Estado que ainda existem, e o resultado das que não existem mais. Mais uma vez repito, comunismo não é jacobinismo.

Que condições terá o site “o vermelho” para criticar as manipulações da mídia burguesa, quando este faz o mesmo e de maneira pior? Alias, vocês renunciaram ou não ao stalinismo? Se realmente renunciaram, então deixem de veicular propaganda póstuma stalinista e joguem suas viúvas de Stalin no lixo ou pela janela! Não percam a credibilidade que estão construindo com tanto esforço…

 

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Written by ocommunard

12 de novembro de 2008 at 7:18

Publicado em Ideologia

Obama e a esperança de mudança

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Que a crise pode ser uma oportunidade, claro, já se tornou nessa época evidente. Basta lembrar quantas mudanças fundamentais surgiram em meio da mais pesada crise. A crise demole qualquer conservadorismo. Eis o que Obama poderia fazer contando com a articulação precisa e decisiva da América Latina e o resto do mundo. Da Europa hoje não podemos esperar muita coisa dada vitória da direita em geral por aqueles lados.

1. Cuba

Para América Latina é uma questão central de sua “mudança” acabar com dois símbolos do imperialismo, chauvinismo e unilateralismo conservador-americano, ou seja, republicano: Guantânamo e o bloqueio a Cuba. Nos dias de hoje é insustentável esse absurdo que já foi muitas vezes condenado pela ONU.

2. Venezuela e Bolívia

Com relação a Venezuela e Bolívia reatar uma diálogo amistoso, de um lado desarticulando qualquer intervenção e ingerência política nesses países, e de outro, se oferecendo como aliado para uma nova relação diplomática que supere as hostilidades.

3. Colômbia

Na Colômbia, uma questão central é destruir a fascista Operação Colômbia que simplesmente transformou esse país em uma ilha fascista com perseguição de opositores, corrupção, assassinatos, desaparecidos políticos, intervenção entre os poderes. A Operação Colômbia, nada mais é(ou foi) do que uma faxada que o partido republicano criou para poder financiar a única direita no poder na América Latina servindo a Colômbia como base política, modelo e propaganda imperialista na América do Sul.

4. América Latina

Outro ponto, em nome do multilateralismo que representa como negação da política de Bush, e em nome de uma relação mais diplomática em oposição a visão belicista de Bush, reforçar a Unasul dialogando apenas com o seu coletivo, e nunca fazendo o que fez Bush, ao tentar quebrar o bloco latino americano criando relações bilaterais com cada país.

5. Oriente Médio

Com relação ao Oriente Médio tem uma oportunidade que não há dúvida que única. A possibilidade de um diálogo pacífico com os povos e regimes árabes. Não se trata tanto de justificar seus regimes, mas também de criticá-los ao retirar deles o pretexto da ameaça estrangeira como justificativa para seus regimes. Isso é possível porque é filho de mulçumanos, e isso dá uma condição moral que nenhum outro presidente americano teve ou terá. Realizar por fim a velha promessa de um Estado palestino, que estava prometido no nascido do Estado de Israel, será um feito decisivo para virar a página daquele conflito.

6. Economia

Com relação a economia, todas as políticas de redução belicista teria caráter flagrantemente econômico, ou seja, se reduziria gastos e déficits. Não adianta cair no protecionismo, porque a migração é uma questão internacional e central. O protecionismo agrícola prejudica os países pobres, piorando sua condição e impulsionando as migrações para os países ricos, sobretudo o mais rico. Mais do que isso, a política econômica tem que se fundamentar numa distribuição internacional da riqueza, contra a concentração reinante nos países ricos, como um recurso efetivo contra a questão migratória(que se estende a vários outros problemas sociais) e contra as hostilidades entre nações. Os países ricos tem de ceder espaço econômico pois caso contrário serão ameaçados de fora e inchados por dentro, e políticas repressivas não tem força estrutural. Fazem parte das “políticas fracassadas” que tanto se fala contra o Bush. 

7. O contra-imperialismo

Mas se Obama é realmente a mudança, e não apenas marketing, e realmente é inteligente para perceber a oportunidade. Deverá simplesmente abolir a organização mafiosa C.I.A. que o tentáculo político de ingerência imperialista do EUA no mundo. Ele deve fazê-lo porque simplesmente não terá opção, a CIA não vinga mais, ela está sendo freqüentemente derrotada na América Latina. E os custos de sua ingerência é uma das sangrias dos EUA. Isso sem falar das várias bases militares americanas espalhadas pelo mundo, outra sangria insustentável em meio a crise. Isso se o governo Obama for realmente a mudança, ou apenas um retórico que aproveitou do efeito moral da cor da sua pele e do contexto de crise.

Written by ocommunard

10 de novembro de 2008 at 19:15

Publicado em Política