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Políticas, economias e ideologias

A queda dos muros: de Berlim ao Wall Street.

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Se você é bem informado, caro leitor, como acho que é, já deve ter lido sobre essa relação irônica entre os muros(Wall é muro em inglês) e de como são simbólicos. A queda do Muro de Berlim representou a queda do dito “socialismo real”(neojacobinismo) e a queda do Wall representaria a queda do capitalismo(liberalismo).  Da mesma forma que os apressados da direita diziam que com a URSS caia o socialismo, apesar de toda a longa linhagem de crítica ao neojacobinismo, também hoje vemos essa exarcebação na mesma direita que acreditava que liberalismo era capitalismo. Tudo se deu em razão da Guerra Fria que dividia o mundo em “capitalismo e socialismo”.

O que podemos dizer sem sombras de dúvida e sem aprofundar num debate espinhoso é que com o muro de Berlim caia o capitalismo público e de suas cinzas renascia forte o capitalismo privado. De 1989 até 2008, quase 20 anos de neoliberalismo, o mundo conheceu o maior descontrole de capitais jamais visto, tudo partindo de uma prentensa constatação de que o Estado foi provado como um estorvo tanto para a economia(a crise que levou ao fim da URSS) quanto para a política(ditaduras stalinistas). O neoliberalismo, porém, reforçou ao Estado funções macroeconômicas de caráter monetarista. No resto tudo foi privatizado, desregulado e não-intervido; o saldo foi baixo crescimento econômico, crescimento exponencial da especulação e algum controle inflacionário, claro, crises, muitas crises, até chegar a essa grande crise que aflige, por incrível que pareça, as grandes potências. Porque por aqui só nos chegou marolinhas.

Agora, vemos atônitos que a direita que em sua maioria tomou o poder na Europa e EUA, está estatizando, regulando e intervindo por causa da crise provocada pelos efeitos opostos. É bem representativo as palavras do Secretário do Tesouro Americano se dizendo contra o que estava fazendo, mas que era necessário. Aparentemente estava velando um defunto no qual só podia chorar.

A solução mediadora afirmaria que deve haver capital público, regulação e intervenção e deve haver capital privado, desregulação e não-intervenção na medida certa. Sem dúvidas, essa solução foi permanentemente confirmada pela história, seja pelo naufrágio das economias totalmente estatizadas e totalmente privatizadas, seja pelo exemplo das economias emergentes que fazem uma economia mista em que os resultados falam por si. Alguns comunistas ou esquerdistas em geral poderá se questionar sobre o projeto de superação do capital.

Mas a questão central para um comunista é o “desenvolvimento das forças produtivas”, só ela poderá romper com a relação capital que se sustenta dentro de um certo estágio desse desenvolvimento, e que a direita o mantém nesse estágio com suas políticas recessivas neoliberais. Aparentemente o neoliberalismo caiu, sua curta vida só beneficiou a ultra-acumulação especulativa que parasitava a economia real até que esta não suportou. A economia mista, dita de modo genérico, é o meio pelo qual o capital tem melhores condições de romper seus próprios limites. A burguesia não tem mais nenhum papel progressista e é por isso que não se pode mais acreditar numa tendência “natural” de que o capital vai se autodestruir. E é por isso que esquerdista e progressita hoje são sinônimos. Por isso a importância de um partido de esquerda que mantenha célere o desenvolvimento e paralamente responda a seus compromissos históricos, pois o desenvolvimento fortalece os índices socio-econômicos além de aumentar o caixa para realizar as reformas, a mais emergente hoje seria a reforma agrária.

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Written by ocommunard

20 de outubro de 2008 às 17:21

Publicado em Reflexão

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