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Políticas, economias e ideologias

Archive for outubro 2008

O grande alerta de Belluzo ao PT: o nosso destino em jogo

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Em matéria veiculada em http://www.cartamaior.com.br, Belluzo alerta contra a ameaça da reação neoliberal no Brasil frente a crise, o título já resume tudo: “Cortar gasto público? Foi essa receita que empurrou a Alemanha para o nazismo em 1933”. Em plena crise da ideologia de mercado e dos vaticínios neoliberais, os representantes dos interesses neoliberais no Brasil, visando sobretudo paralisar o governo, prega a redução de gastos públicos.

Diz ele que “a situação é muito séria e o governo não pode ter medo de agir(…)” E que “a demência ensandecida insiste em recitar seu mantra dos livre mercados num momento em que os mercados encontram-se virtualmente pedindo socorro ao Estado”. E conclui com as palavras que devem está nas mentes de todos os trabalhadores e do governo que os representa, palavras de ordem que vaticinam o momento: “Estamos numa corrida contra o tempo: não basta acertar as respostas, é crucial não errar o timming. A resposta adequada ontem poderá ser inútil amanhã – ou hoje”.

Comparando o que ocorreu na Grande Depressão de 29, denuncia a ameaça que essa política de corte de gastos representou no passado: “Cortar investimento público em meio a uma crise como essa é reeditar a mesma receita que jogou a Alemanha ao nazismo, em 1933”, afirmando que o  “não intervencionismo nativo” quer levar o governo a bancarrota. O Brasil deve se prevenir contra os resultado do corte dos investimentos: “erosão das reservas externas; fuga de capitais e conseqüente desemprego galopante”. Efeitos esses que levou o nazismo ao poder.

Belluzo em entrevista exclama que “O PAC não apenas deve ser preservado: o governo deve expandir o gasto em investimentos que maximizem efeitos multiplicadores para trás e para frente, na forma de emprego, encomendas às cadeia produtivas e expansão de uso de capacidade instalada”. O PAC é a principal dádiva desse governo e os neoliberais querem destruí-lo para retornarem ao poder. A solução para essa crise não é encolher o PAC e sim expandí-lo ainda mais, é torná-lo estratosférico até que o peso colossal da prosperidade esmague seus inimigos, nos colocando um passo a frente ao socialismo.O momento é dramático, a escolha do governo em cair ou não na campanha ortodoxa de seus opositores será a decisão que determinará o futuro da classe trabalhadora no Brasil. Estamos atento, nosso futuro está nas mãos desse governo, que os trabalhadores percebam a manobra da direita e se armem para pressionar com todas as suas forças a favor das políticas desenvolvimentistas do governo.

Sem desenvolvimento econômico não há emancipação política para o trabalhador, falar qualquer outra coisa é perfumaria. Cortar investimento público significa primeiramente uma maior fragilidade econômica que diminuirá a resistência a crise, depois uma retração econômica com mais desemprego, diminuindo o mercado interno. O mercado interno(aumento da renda média do trabalhador e diminuição do desemprego) está sendo nossa via de desenvolvimento, contra um mercado externo já saturado ou em crise. Encolher investimentos público em momento de pânico é um puro e simples sucídio político. Não será apenas a queda de um governo de esquerda de um lado, mas um contra a equerdização na América Latina por derrubar o governo esquerdista do maior país da região.  E não é só isso, o desemprego em massa desmobiliza a classe trabalhador ao aumentar sua insegurança, aumentar assim a concorrência colocando empregados e desempregados, e por criar uma parcela maior de lumpensinos(miseráveis) sempre facilmente arregimentados como milícia da direita em momento de refluxo reacionário. Governo PT, a história nos ensina!

Governo PT ouça Belluzo! Retire o neoliberal Meireles do BC, esse é o momento! Em um momento tão dramático a hesitação é traição. Veja o resultado do excesso de moderação dos social-democratas da Alemanha na crise!  O governo sabe, mas nunca é demais reforçar, a história nos ensina a não cometer os mesmos erros.As articulações golpistas contra o governo a muito tempo já não são teorias conspirativas, será que pensam agora que essa campanha da oposição seja em nome do “bom senso”?

Qualquer tropeço nessas decisões de política econômica terá resultados crônicos que manchará as ruas com o sangue dos trabalhadores, como assim ocorreu no passado, e assim está ocorrendo em muitos lugares na América Latina aonde a luta de classes está mais acirrada(Bolívia e Venezuela). Na crise e no contexto mundial estatizante, o governo tem uma prerrogativa monumental sem precedentes para ações mais socialistas como estatizar, regular e intervir na economia, e quem sabe, até mesmo socializar em cooperativas alguns setores. Ou poderá se submeter a pressão da direita e jogar o país na crise que marcará o refluxo trágico da esquerda latino-americana.

Written by ocommunard

23 de outubro de 2008 at 11:28

Publicado em Cultura, Economia, Ideologia

O capital é nosso!

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Aqui eu saúdo nosso governo que pela primeira vez em seus dois mandatos tomou uma atitude realmente de esquerda autorizando estatização de instituições financeiras, vinculado no jornal Folhaonline: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u458866.shtml. Não importa se em um contexto tão favorável essa atitude não tem o menor vanguardismo, mas é corajosa sim, é grandiosa, pelo simples fato de ser necessária e com certeza para nós, trabalhadores, sentimos um pouco mais recompensados pela ação do governo de tonar público a propriedade dessas instituições que tem tanto poder no país e são tão importantes para a construção de nosso novo destino…

Celebramos, saudamos e comemoramos… o primeiro passo é sempre o mais arriscado, por isso saúdo ao governo PT e a pessoa do presidente operário Luís Inácio Lula da Silva. Essa ação grandiosa de compromisso histórico que sem dúvidas terá muitas ramificações promissoras para frente.

Written by ocommunard

22 de outubro de 2008 at 11:32

Publicado em Reflexão

Especulações despretensiosas sobre o capital público e o capital privado

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O rompimento do capital que se dará, tal como se deu no feudalismo com a relação feudal, é o rompimento da relação capital(como Marx trata em O Capital), ou seja, o capital é uma relação social entre capitalista e assalariado. Por isso, o capital público, ou capital estatal, ou o capital coletivo como diz Engels*, não supera essa relação apenas transformando o assalariado privado em assalariado público, a relação permanece. A questão a se levantar é se ela não representa a última mediação dessa relação, seu último grau. Isso é o que defende Engels*. Ou se estatizações e privatizações são apenas ondas cíclicas tal como as depressões e expansões do capital, o que teria como comprovação a crise de 29 e a crise atual de 08. Qual o papel da estatização do capital no processo de gênese socialista? 

Mas aí entra a questão da burocracia e as soluções já realizada na longa luta do proletariado para superá-la ou amenizá-la. Podemos citar duas: elegibilidade-revogabilidade(Comuna de Paris) e conselhos de comitês de trabalho(Sovietes). 

A grande contribuição dada pela Comuna de Paris foi a elegibilidade de quase todas as funções pública com uma ferramenta nova: a revogabilidade. Se a elegibilidade é uma herança burguesa, a revogabilidade é proletária. Nela todo o representante é a qualquer momento tem anulado seu mandato caso ele se afaste de seus compromissos. Esse afastamento é prática comum ao modelo representativo que cria um descolamento dos compromissos nas pausas entre as eleições. A revogabilidade prende o representante permanentemente a seus compromissos sociais.

A outra grande contribuição do trabalhador revolucionário foi os soviestes originais(fase revolucionária da Rússia), quero dizer os conselhos de trabalhadores e soldados baseados nos comitês de fábrica(com os bolcheviques no poder se degenerou). Ele ofereceu a nova forma política que supera o sufrágio universal, pois a representação é permanente, rotativa e direta (partem das fábricas). Dando uma dinâmica auto-representativa única, dando um passo a frente decisivo na desalienação entre representado e representante. Essa é a batalha da política do proletariado, é a isso que se pode chamar de radicalização da democracia.

A questão é que a política econômica não é somente a ciência aplicada do economia política, pois a economia política tradicionalmente se desenvolveu como negação do Estado na economia, despolitização da economia, e esta é a linha pelo qual Marx desenvolve a sua “crítica a economia política”. Já a política econômica surge da negação do autismo econômico e de seus pressupostos de auto-equilíbrio e auto-propulsão. A política econômica nasce quando falha a economia política. Podemos dizer que o socialismo científico é parente próximo da política econômica.

Por outro lado, ela é filha da economia política, porque é filha da forma científica de estudar os fenômenos econômicos, tal como o socialismo é filho da economia clássica inglesa. Para Marx a negação da economia política seria o socialismo científico, como economia plenamente socializada, planificada e centralizada, resultado das próprias contradições do capital. Já a política econômica é um meio termo, sem dúvida. Marx também era devedor da idéia de que o capital desenvolveria por si só as forças produtivas supondo um impulso progressita dos capitalistas, hoje só existe uma classe progressista, os trabalhadores. Esse é o fundamento para um reformismo de esquerda. 

Entre o capital público e o capital privado há mediações, o próprio keynesianismo é uma mediação. Para Keynes não é o Estado na economia, é o Estado influenciando a economia, ou seja, ao atingir os índices macroeconômicos desejados, criar um cenário propício para a acumulação do capital privado. Na crise financeira atual se praticou todos os graus de intervenção na economia. Mas é desperdício ao Estado e um perigo político para a esquerda esperar que o capital privado que tem como único objetivo seu lucro seguro, assumir um papel público. 

Os republicanos americanos, que mais são avessos ao capital público, ou melhor, mais são defensores do capital privado, tentaram todas as formas possíveis de não apropriação pública do capital. Compraram os ativos podres, injetaram recursos nos Bancos, mas acabou por ter que comprar as ações e se tornar sócio majoritário, ou seja, estatizar. Diferente dos europeus, e talvez para se mostrarem fieis ao seu neoliberalismo fajuto, compraram ações “preferenciais”, aquela que não dá direito a voto. Ou seja, eles estatizaram mais não controlam. Seria o mesmo que comprar uma fábrica aonde os gestores a levaram a falência, sem mudar os gestores. De que adianta?

A questão é, se os bancos estiverem sobre o controle da equipe econômica do governo não será melhor? Pois a equipe econômica não vai precisar mais ficar pedindo que ofertem o crédito que o governo facilitou(no caso do Brasil, o compulsório) ou que hajam conforme estímulos de um modo ou de outro, o governo que o controle vai diretamente oferecer esse crédito e diretamente executar a política econômica sem precisar seduzir com o dinheiro público o capital privado. Ou seja, o controle do governo é mais rápido, direto e efetivo do que essa regulação por incentivos/estímulos/indicações. Enquanto isso os capitalistas continurarão indiferente aos efeitos macroeconômicos de sua hesitação, olharão cegamente para o que considerarem seguro e lucrativo.

O problema que se mostrou é como a sociedade em si na forma pública do capital não tem esse controle. Dessa forma, o risco burocrático que falei acima é combatível com a radicalização permanente da democracia que o exemplo da Comuna e dos Soviestes oferecem. A diminuição dessas distâncias se encontram hoje no Brasil nos conselhos interclassistas criados pelo governo Lula que tem uma dinâmica democrática mais radical e mais flexível que o quadrado parlamento que nós temos que virou tribuna de bate-boca, discursos vazios e motim de golpistas(há exceções, é claro – mais o mecanismo favorece a esses). Não é preciso fechá-los, basta deixá-los lá em seu cretinismo vagabundo juntamente com a mídia dominante enquanto nós, trabalhadores, transformamos o Brasil e o mundo, como sempre.

* Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico.

Written by ocommunard

21 de outubro de 2008 at 17:17

Publicado em Reflexão

A queda dos muros: de Berlim ao Wall Street.

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Se você é bem informado, caro leitor, como acho que é, já deve ter lido sobre essa relação irônica entre os muros(Wall é muro em inglês) e de como são simbólicos. A queda do Muro de Berlim representou a queda do dito “socialismo real”(neojacobinismo) e a queda do Wall representaria a queda do capitalismo(liberalismo).  Da mesma forma que os apressados da direita diziam que com a URSS caia o socialismo, apesar de toda a longa linhagem de crítica ao neojacobinismo, também hoje vemos essa exarcebação na mesma direita que acreditava que liberalismo era capitalismo. Tudo se deu em razão da Guerra Fria que dividia o mundo em “capitalismo e socialismo”.

O que podemos dizer sem sombras de dúvida e sem aprofundar num debate espinhoso é que com o muro de Berlim caia o capitalismo público e de suas cinzas renascia forte o capitalismo privado. De 1989 até 2008, quase 20 anos de neoliberalismo, o mundo conheceu o maior descontrole de capitais jamais visto, tudo partindo de uma prentensa constatação de que o Estado foi provado como um estorvo tanto para a economia(a crise que levou ao fim da URSS) quanto para a política(ditaduras stalinistas). O neoliberalismo, porém, reforçou ao Estado funções macroeconômicas de caráter monetarista. No resto tudo foi privatizado, desregulado e não-intervido; o saldo foi baixo crescimento econômico, crescimento exponencial da especulação e algum controle inflacionário, claro, crises, muitas crises, até chegar a essa grande crise que aflige, por incrível que pareça, as grandes potências. Porque por aqui só nos chegou marolinhas.

Agora, vemos atônitos que a direita que em sua maioria tomou o poder na Europa e EUA, está estatizando, regulando e intervindo por causa da crise provocada pelos efeitos opostos. É bem representativo as palavras do Secretário do Tesouro Americano se dizendo contra o que estava fazendo, mas que era necessário. Aparentemente estava velando um defunto no qual só podia chorar.

A solução mediadora afirmaria que deve haver capital público, regulação e intervenção e deve haver capital privado, desregulação e não-intervenção na medida certa. Sem dúvidas, essa solução foi permanentemente confirmada pela história, seja pelo naufrágio das economias totalmente estatizadas e totalmente privatizadas, seja pelo exemplo das economias emergentes que fazem uma economia mista em que os resultados falam por si. Alguns comunistas ou esquerdistas em geral poderá se questionar sobre o projeto de superação do capital.

Mas a questão central para um comunista é o “desenvolvimento das forças produtivas”, só ela poderá romper com a relação capital que se sustenta dentro de um certo estágio desse desenvolvimento, e que a direita o mantém nesse estágio com suas políticas recessivas neoliberais. Aparentemente o neoliberalismo caiu, sua curta vida só beneficiou a ultra-acumulação especulativa que parasitava a economia real até que esta não suportou. A economia mista, dita de modo genérico, é o meio pelo qual o capital tem melhores condições de romper seus próprios limites. A burguesia não tem mais nenhum papel progressista e é por isso que não se pode mais acreditar numa tendência “natural” de que o capital vai se autodestruir. E é por isso que esquerdista e progressita hoje são sinônimos. Por isso a importância de um partido de esquerda que mantenha célere o desenvolvimento e paralamente responda a seus compromissos históricos, pois o desenvolvimento fortalece os índices socio-econômicos além de aumentar o caixa para realizar as reformas, a mais emergente hoje seria a reforma agrária.

Written by ocommunard

20 de outubro de 2008 at 17:21

Publicado em Reflexão

Considerações sobre a esquerda do porvir: eleições 2010

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Algumas questões são inquietantes sobre a esquerda e que vejo que se não considerada pode impedir sua permanência e fortalecimento no poder após a era Lula. A primeira consideração e acho mais taticamente importante no debate e que vejo o PT escorregando constantemente, é sobre a nova configuração social brasileira gerada pela própria era petista. Ou seja, estou me referindo a nova classe média e o fato de termos uma maioria social na classe média.

É importante perceber que essa classe média ao mesmo tempo em que não se identifica com a velha classe média, principalmente o seu topo, que está culturalmente ligada a classe alta. Por outro lado, ela não vai conseguir se sentir representada com esse pauperismo ideológico, não conseguirá ver suas conquistas materiais gerada pela própria governança petista e se dizer pobre como o eleitorado petista. Esse equívoco em um discurso que se centraliza no pobre e não no trabalhador, se enfraquece duplamente por ajudar a camuflar a natureza das classes enquanto relações de produção, e por outro lado, por expulsar as parcelas de seu discurso que mais estariam interessadas na aliança.

É importante reparar nessa contradição, o governo que mais retira parcelas da pobreza não pode ter ela como eleitorado focado, pois isso é um evidente suicídio político-eleitoral. Essa é a primeira consideração e a mais importante.

O segundo ponto é o elemento Lula. Acho que não há dúvidas que a união entre resultados socioeconômicos e simbologia da figura do Lula blindou o governo petista contra a campanha mais radicalmente golpista desde a redemocratização: o escândalo forjado do mensalão(nada mais do que Caixa-2, prática comum ainda que espúria). Só não tomou ares claramente golpista porque os próprios envolvidos pregavam que iam deixar Lula sangrar até as eleições e abatê-lo nas urnas.

Para mim, Lula venceu porque tinha o que mostrar, e mostrou… e os trabalhadores se convenceram que aquele governo não era tão infernal como dizia a mídia, e que apesar de tudo era bem melhor do que o do partido opositor: PSDB. Outro elemento foi a total falta de carisma do opositor Alckimin somando ao total vazio de seus argumentos nos debates. Em todos os debates Lula ganhou sem espaço para dúvidas. Hoje, no segundo governo Lula, temos agora sim resultados concretos de seu compromisso, ainda que na sua exagerada moderação e com um ritmo as vezes frustrante, apesar de que a campanha midiática da direita contra o governo PT jamais tenha cessado.

A questão é que o elemento “simbologia” não vai mais pesar nessa balança. É muito importante ressaltar isso. Seja quem for o candidato presidencial da esquerda não mais vai contar com esse fator. Ninguém tem o peso simbólico de Lula para representar as classes dominadas no Brasil. Ou seja, Lula é diferente de uma Marta ou Dilma, porque ele encarna suas idéias em sua biografia. E não ter esse peso simbólico significa que será menos resistente a essa campanha midiática sem fim da mídia dominante, que não podemos nos iludir que acabará.

Assim, há de se compensar esse ponto, e a compensação é radicalizar nos resultados. Lula se deu ao luxo de ter posições moderadas porque tinha sua biografia como recurso moral. Mesmo assim sua superficialidade em alguns pontos gerou estragos, principalmente na militância que nessa eleição se mostrou apática em alguns casos quase que extinta. É como se tivesse apenas restado o cinismo do realismo político, algo que arrancou toda passionalidade da política na esquerda que tínhamos a pouco tempo atrás, principalmente representado pelos grandes partidos de esquerda, na frente deles, o PT.

A mídia já deixou claro que se amarra a hipótese que a solidez da esquerda no poder está garantida apenas pela pessoa do Lula, talvez em seu personalismo burguês não perceba que o que se passa no Brasil vai além do carisma de um presidente, que o trabalhador brasileiro não é um idiota facilmente manipulado por marketeiros como querem mostrar. Mas talvez seja cedo para alguns debater sobre isso, mas a direita não parou desde o dia em que o Lula foi eleito em planejar a sua derrubada e a sua volta ao poder. É importante que a esquerda esteja sempre a um passo a frente.

Não sejamos ingênuos, a sombra de Allende sempre estará no horizonte. É inadmissível que a esquerda cometa os mesmos erros e falhas como a hesitação, a desarticulação e a desunião. Mas acredito que somente os movimentos sociais poderão sustentar um passo a frente para a esquerda no país, terá de vir de baixo como sempre e mais uma vez. Seja quem for, Dilma ou não, terá que radicalizar e acelerar as transformações para recriar os laços com os movimentos sociais. São eles que garantem a dinâmica e o ritmo das transformações, além de ser a força que sustenta o poder político vigente.

Written by ocommunard

20 de outubro de 2008 at 16:43

Publicado em Reflexão

Um panorama da crise

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Camaradas, algumas publicações na internet que oferecem uma boa análise crítica da crise financeira que vivemos nesses ultimos meses de 2008.

 

JOSEPH STIGLITZ: A crise de Wall Street equivale à queda do Muro de Berlim

BELLUZZO: “A palavra que falta dizer é estatização do crédito”.

MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES: “Entupiu o sistema circulatório do capitalismo. É preciso agir rápido, antes que ocorra a trombose”.

ESPECIAL – FRANÇOIS CHESNAIS: O capitalismo tentou romper seus limites históricos e criou um novo 1929, ou pior

 

 

Todas essas matérias estão acesível no site Agência Carta Maior: http://www.cartamaior.com.br 

 

Written by ocommunard

16 de outubro de 2008 at 14:06

Publicado em Reflexão

Uma nova globalização emerge na crise…

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Com a derrocada do neoliberalismo frente a essa crise, aonde dentro dos santuários neoliberais os pastores estão pregando o que antes era a encarnação do mal: intervenção, regulação e estatização; a globalização começa a se organizar sobre novas bases. A importância da associação internacional para conter a crise mostra como a farra financeira quebrou as barreiras para uma nova organização político-econômica aonde economias nacionais não estão apenas totalmente interdependentes, mas associadas. Quando essa interdependência estava atrelado ao projeto privatista, desregulador e desprotecionista, havia uma falsa identificação imanente entre globalizar e neoliberar, agora, se percebe claramente que bela ironia a dialética da história colocou nas mãos da burguesia. Elas criaram o regime globalizado de planificação econômica ou “instituições macroeconômicas” como prefere a burguesia.

Todos estão lá: OMC, Forum Econômico Mundial, G-7, G20, os blocos econômicos. Todos serviam a causa burguesa neoliberal no momento em que agiam nas fronteiras das economias, fragilizavam a ação da política econômica nacional e a submetia ao mundo sem leis do capital. Agora, com o capital sofrendo de seu próprio mundo sem leis, esses paladinos olham para os lados e percebem que construiram uma grande máquina de macroregulação política econômica internacional, já azeitada com as estatizações que estão realizando a contra-gosto.

Uma nova globalização está surgindo, o socialismo está renascendo das cinzas, e aparentemente, pelas mãos da direita. O velho keynesianismo protecionista é inviável, e isso é bom. A soberania nacional que a muito tempo se enfraquecia e aterrorizava a esquerda, agora se transforma em uma nova soberania internacional acentuada pelos êxistos sociais e econômicos da periferia latino americana que já se adiantou no estancamento e combate da contra-reforma neoliberal. Talvez seja ainda cedo afirmar que a economia tenha alcançado um status internacional inexorável, mas sem dúvidas estamos assistindo um salto nesse processo. Bemvinda será essa nova globalização para os trabalhadores do mundo em sua luta internacionalista secular. Romperam-se os dutos que separam os países gráças a realização da globalização neoliberal, e se romperam os dutos que estancavam o desenvolvimento das forças produtivas gráças a queda da globalização neoliberal.

Uma nova página da história está se escrevendo…

Referência:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15251&alterarHomeAtual=1

Written by ocommunard

16 de outubro de 2008 at 13:24

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