Communard

Políticas, economias e ideologias

Arquivo por Autor

fazer um comentário »

Caro leitores,

Estarei aposentando esse blog em favor de um outro, na plataforma blogger, a partir de hoje passarei a publicar no endereço http://margemesquerda.blogspot.com.br/

Grato a todos pela participação nos comentários

Escrito por ocommunard

14 de abril de 2012 em 18:21

Publicado em Sem categoria

Cachoeiradas neoudenistas

com um comentário

A CPI do fim do mundo nascerá na terça feira, é o que se diz no noticiário, o fim de um mundo povoado por “mosqueteiros da ética”, editor-chefe receptando um chefe de quadrilha e a maior farsa já contada por uma camarilha golpista que monopoliza desde sempre os meios de comunicação. “Meu mundo caiu”, suspira Rupert Civita. O “mensalão do PT”, sim pois o do DEM(Arruda) e do PSDB(Azeredo) é invisível para “livre imprensa”, foi desmascarada pelas gravações do Cachoeira como a maior tentativa golpista desde a redemocratização, seguindo o mesmo modus operandi que levou Getúlio Vargas ao heroico tiro no peito e o Jango a ingênua renúncia para “evitar derramamento de sangue” (que como sabemos não foi evitado). Jango deveria saber que a bandeira da esquerda não é vermelha por acaso, quem a segue deve está pronto para seu preço de sangue.

Com a eminência da esclarecedora CPI do Cachoeira, a grande mídia conservadora partiu para a intimidação e ameaça ao PT para que eles barrassem a CPI. De repente Demóstenes, Cachoeira e Perillo somem do noticiário, agora só há Agnelo Queiroz(governador do PT) e Protógenes (o que propôs a CPI). Se lia em letras garrafais nas entrelinhas: “barre a CPI para o seu próprio bem, pelo amor de deus!”. Pobre Goebbels, o PT não tem nenhuma reputação a perder na Veja, Globo, Folha ou Estadão, são 9 anos ininterruptos de linchamento moral permanente pontuado por um único soluço, a Veja com a entrevista com a Dilma, justamente quando o esquema do Cachoeira havia sido debelado.

O mensalão então volta as manchetes, miraculosamente. Justamente quando descoberto que as gravações de vídeo que gerou o escândalo havia sido produzido pelo esquema do Cachoeira em retaliação ao Dirceu ter barrado a integração do “moral” Demóstenes no governo. Enquanto dezenas de gravações que incriminam o editor-chefe da revista Veja são ignoradas pela “grande imprensa”, três gravações soltas entre Protógenes e o espião do Cachoeira(Dadá) é tratada como um julgamento sumário, por mais que ela não revelem simplesmente nada. Se a tentativa era fazer PT e Protógenes recuar, eles perderam. Quanto mais falsamente o incriminam, mas o PT e o Protógenes necessitam da CPI para provarem inocência.

Não é uma questão apenas eleitoral, pois o udenismo já vem se evaporando em cada eleição, a eleição e faxina da Dilma foi a pá de cal que o udenismo evitava, com a inesgotável constribuição do serrista Kassab. A questão é ideológica. A direita brasileira atual se baseia em 3 pilares: neoudenismo, neocolonialismo e neoliberalismo. O neocolinialismo (política externa subserviente alimentado por um profundo complexo de inferioridade) foi desmontada com as ações e êxitos internacionais do Brasil, o neoliberalismo foi praticamente expurgado, em termos práticos, com a crise financeira internacional, e por fim eles tinham o neoudenismo: o moralismo histriônico, agora definitamente demonstrado como pseudo-moralismo. Se o desmascaramento de Demóstenes é um tiro na oposição parlamentar, o desmascaramento do mensalão é uma bomba na oposição midiática.

Mas hoje há a internet, as mídias sociais a cada dia conquistam mais espaço e influência sobre as mídias de massa. A idéia de uma mídia estruturada por uma hierarquia plutocrática, agora se desmancha frente mídias sociais que trabalham como uma rede, aonde cada pessoa é um elo da informação e da opinião, radicalmente horizontalizado. Em 18 dias as mídias sociais derrubaram 30 anos de ditadura egípcia, apoiada pelos EUA, com a devida e indispensável mobilização nas ruas. Os mercenários, neoudenistas e idiotas úteis da imprensa sabem disso, e tem um tempo muito curto para pularem fora do barco e preservarem o que ainda lhes resta de reputação, influência e credibilidade.

É bom saber, que apesar dos pesares, apesar do poder imenso que um dia o oligopólio midiático exercera sobre o nosso país, provocando golpes militares, destruindo reputações, encobrindo a ditadura, não conseguiram deter a verdade, a verdade sempre vem a tona. Graças a todos aqueles que indignados frente a mentira, lutaram por todos os seus modestos meios para a denunciar para o maior número de pessoas possíveis a simples verdade, a mídia social é a arma letal para levarmos a extinção o aparato por onde Goebbels edificara a barbárie nazista.

O Cachoeira não apenas debelará o fim da farsa, mas demonstrará quem eram os verdadeiros mensaleiros que trabalhavam, não para votarem com um governo, mas a serviço de um criminoso. Não importa quantos do governo caiam, e percebo essa consciência na firmeza do presidente do PT, não importa, dessa vez a depuração política será geral, ampla e irrestrita. “Doa a quem doer”, e essa frase doi muito no PIG. E com certeza, dessa epifania de desmascaramentos nascerá a reforma política que tanto esperamos.

Escrito por ocommunard

13 de abril de 2012 em 17:22

Publicado em Sem categoria

Roberto Jefferson, o acusador do mensalão, desmente mensalão

fazer um comentário »

Nas alegações finais ao STF o acusador-mor do mensalão pura e simplesmente negou a existência de sua própria acusação (a tratando como tetórica) e que todo e qualquer dinheiro que recebera do PT fora lícito. Seguindo o exemplo do Blog do Rovai, coloco em negrito as partes destacadas em que o demiurgo da direita se desmente.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO-RELATOR PERANTE O EXCELSO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

Ref.: Ação Penal nº 47

ROBERTO JEFFERSON MONTEIRO FRANCISCO, acusado já qualificado no feito da referência, por seu procurador, comparece respeitosamente à ilustrada presença de Vossa Excelência, a fim de apresentar com esta suas alegações finais:

I. Em decisão publicada pelo e-DJ de 15 Jun 2011, em atenção ao pedido formulado pelo protocolo nº 30.298, de 27 Mai 2011-6ªf, Vossa Excelência deferiu a juntada dos documentos que a acompanharam, mas, malgrado integrante daqueles mesmos, indeferiu a requisição de cópia da Ação Civil Pública nº 7807-08.2011.4.01.3400, aforada perante a 13ª Vara Federal do Distrito Federal, onde demandado LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA e outro, embora relacionada com esse feito.
Pois o Requerente agora conseguiu a cópia aludida, que junta com estas alegações finais.

II. Estando pendente de julgamento a Arguição de Impedimento nº 4, de fato, de suspeição de Vossa Excelência, proposta por co-acusado e interessando sua solução aos demais, com implicações na validade e higidez desse feito, acaso venha de ser acolhida, se pede seu pronto julgamento, antecedendo o desta Ação Penal.

Agora, às alegações.

III. Em preliminar, se renovam aqui, em toda sua extensão, os fundamentos que inspiraram os seis agravos regimentais opostos ao longo da instrução, a título de violação do devido processo legal e ampla defesa (CF, art. 5º, LIV e LV).

IV. Como dito já desde a defesa prévia, verbis,

“1. O Defendente é acusado dos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro (fls. 114/118, da denúncia).

Nega e se declara inocente, no entanto, de ambas as acusações.

2. Diz o requisitório, à sua fl. 10, que “A presente denúncia refere-se à descrição dos fatos e condutas relacionados ao esquema que envolve especificamente os integrantes do Governo Federal que constam do pólo passivo; o grupo de Marcos Valério e do Banco Rural; parlamentares; e outros empresários. Os denunciados operacionalizaram desvio de recursos públicos, concessões de benefícios indevidos a particulares em troca de dinheiro e compra de apoio político, condutas que caracterizam os crimes de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção e evasão de divisas”.

Também esclarece, mas ressalva, à mesma fl. 10, que “A origem desses recursos, em sua integralidade, ainda não foi identificada” (grifos aqui).

No entanto e contraditoriamente, quanto ao Defendente, na qualidade de Presidente do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB e de Deputado Federal, com outros de sua agremiação partidária, acusa-o do “recebimento direto ou disfarçado dos pagamentos de propina em troca de integrarem a base de apoio do Governo Federal” (fl. 95) e ainda, de que estaria(m) “cientes de que os montantes recebidos tinham como origem organização criminosa” (fl. 114).

Tudo isso seria para “venda de apoio político ao Governo” (fl. 114) e, nesse sentido, “Para ilustrar o apoio político do grupo de parlamentares do Partido Trabalhista Brasileiro ao Governo Federal, na sistemática acima narrada, destacam-se as atuações dos Parlamentares Roberto Jefferson, Romeu Queiroz e José Carlos Martinez Santos na aprovação da reforma da previdência (PEC 40/2003 na sessão do dia 27/08/2003) e da reforma tributária (PEC 41/2003 na sessão do dia 24/09/2003)” (fl. 117).

Especificamente em relação ao Defendente, assegura que “Como resultado do acordo estabelecido com o núcleo central da quadrilha entre os meses abril e maio de 2004, onde ficou acertado o repasse de R$ 20.000.000,00 do PT para o PTB em cinco parcelas de R$ 4.000.000,00, Roberto Jefferson e Emerson Palmieri, no mês de junho de 2004, receberam na sede nacional do PTB, diretamente de Marcos Valério, a importância de R$ 4.000.000,00, sendo a primeira parcela de R$ 2.200.000,00 e, logo após, R$ 1.800.000,00, em cédulas envoltas em fitas do Banco Rural e Banco do Brasil” (fl. 116).

Menciona, certo, outros episódios relacionados com José Carlos Martinez, Romeu Queiroz, José Hertz e Alexandre Chaves (fls. 116/117), mas esses são fatos de que somente invoca o testemunho do Defendente, embora – sem descrição de conduta criminosa, por eles intente responsabilizá-lo, mas exclusivamente na classificação dos supostos crimes correspondentes, sem outra sustentação (fl. 118).

O estilo oblíquo e mesmo confuso da narrativa da denúncia impunha esta especificação defensiva, porquanto, embora muito citado ao longo dela, o que efetivamente se imputa ao Defendente é somente e tão só o quanto acima gizado.

Salvo, claro, a assertiva surpreendente – que fez de uma vital testemunha para a acusação, apenas um réu de acusação inepta e sem procedência – de que “Relevante destacar, conforme será demonstrado nesta peça, que todas as imputações feitas pelo ex Deputado Roberto Jefferson ficaram comprovadas” (fl. 9).

Por quê?

3. Pois bem. Seja como for, certo é que as acusações contra o Defendente não se sustentam e são claramente improcedentes e destituídas de qualquer fundamento fático.

Com efeito e isso a todo tempo ficou dito e mostrado, sem contraste, que o Defendente andou sempre nos limites que a lei garante.

Como Presidente de partido político, o PTB, formulou acordo para a campanha eleitoral de 2004, eleição de vereadores, vice-prefeitos e prefeitos, com o Partido dos Trabalhadores – PT.

Não se tratava aí de apoio ao Governo Federal. A eleição era municipal.

No âmbito federal, o PTB apoiou, desde o 2º turno da eleição presidencial, em 2002, o candidato e a coligação que elegeu o Presidente Lula, detendo um ministério do governo, o do Turismo e compondo a base parlamentar de apoio, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Isso é notório.

O acordo político para as eleições municipais de 2004 com o PT, envolveram, sim, doação financeira deste para o PTB, da ordem de R$ 20 milhões.

Essa doação aprovada por ambos os partidos tem apoio em lei e, naquele pleito, estava regulada pelas Resoluções do egrégio Tribunal Superior Eleitoral.

Era a Resolução nº 21.609/04, art. 3º, parágrafo único, inciso I, que considerou recurso, dinheiro em espécie e, a Resolução nº 20.987/02, art. 10, inciso IV, que indica doação de partido político como fonte de arrecadação.

Assim, os R$ 4 milhões pagos pelo PT, como parte do dito acordo, nada têm de irregular, dirá criminoso.

A origem desse recurso, que não se poderia presumir ilícita – como, de resto, a própria denúncia afirma que “ainda não foi identificada” (fl. 10) – segundo o PT, é fruto de recursos próprios seus e de empréstimos bancários.

Não se trata, portanto, como dito na denúncia, de propina.

É recurso lícito, fonte de arrecadação prevista em lei e destinada à eleição municipal de 2004.

Com o governo federal iniciado com a eleição vitoriosa de 2002, de que fazia e faz parte o PTB, suas bancadas, na Câmara e no Senado, desde então sempre votaram e conformaram sua base parlamentar de apoio.

E isso é conceitual e rudimentar na prática parlamentar e política, que aqui se quer criminalizar.

Mas crime não é.

Assim, nada de incomum, estranho ou ilícito, do Defendente, então Líder do PTB na Câmara, defender e votar a favor da reforma da previdência – como já pregava desde a Constituinte e da indispensável e urgente reforma tributária.

Nem de novo, desde que essa é a postura programática do PTB e de notória defesa, antes mesmo da Constituinte de 1987.

E se não sabe o acusador a origem daquele recurso, como afirmar que é ilícito e, por isso, atribuir ao Defendente que empenhou-se no seu branqueamento ou lavagem ? Non sense !

É quanto basta, eminente Senhor Ministro-Relator, para deixar mostrado e a se robustecer com a prova a mais a produzir, para que a falada improcedência da denúncia seja reconhecida”.

Pois, dada como ultimada a instrução, a prova produzida não desmentiu e, por cima, confirmou o alegado.

V. Independente de em sede de alegações finais tenha o ilustre acusador se esmerado em esforço retórico para buscar a condenação do Defendente, da retórica não passou.

Nada da situação de fato – geralmente invocada da fase inquisitorial – conforta ou demonstra sua pretensão.

Em nenhum momento há indicação, documental ou oral, que desminta a versão do acusado.

Sem elemento material de prova, tenta, claro, formular teorias que, de lege ferenda, poderiam vir a serem discutidas no Congresso Nacional.

VI. Assim é, quando para formular pedido de condenação no crime de corrupção passiva, louva-se em referência a opinião isolada e, citando parte do v. acórdão na Ação Penal nº 307-3-DF, primeiro, diz que na configuração dessa infração é prescindível ato de ofício, que, aliás, não indicou na sua denúncia, praticado ou deixado de praticar.

Ora, mas tanto isso não é exato, nem verdadeiro que, já desde a ementa do v. acórdão respectivo, ali se pode ler, verbis,

“1.2. Improcedência da acusação. (…) em virtude (…) mas também por não haver sido apontado ato de ofício configurador de transação ou comércio com o cargo então por ele exercido” (DJ de 13 Out 1995).

Depois, diz que voto de parlamentar abrigado pela imunidade material que decorre do disposto pela CF, art. 53, sem qualquer especificação, pode ser escrutinado e submetido a controle pelo Ministério Público ou mesmo pelo Poder Judiciário, em rematado absurdo.

VII. Do mesmo modo, na imputação de lavagem de dinheiro, esmera-se em sustentar que embora reconheça que não haja tipo penal de organização criminosa no direito positivo brasileiro, isso merece uma espécie de interpretação extensiva que, em tudo, agride a garantia pétrea da CF, art. 5º, inciso XXXIX, de modo a instituir modalidade criminosa através de só argumentos.

Ora, ainda que uma tal possibilidade se viabilizasse – como não há - haveria de estar calcada em prova (que não se realizou), da ciência prévia do Defendente da origem criminosa do recurso que lisamente admitiu lhe ter sido aportado, como fruto de acordo partidário lícito e não desmentido. Ao contrário.

Assim, se sequer se desincumbiu de provar a origem do recurso – que desde a denúncia dizia não saber – todas as afirmações que faça, a partir de prova judicializada, no ocaso desta ação penal, de ser dinheiro público, de ser fruto de prática delituosa, de se ter inspirado em contratos e empréstimos fictícios, não passam de sua mera criação mental.

Dirá, que o Defendente disso soubesse ou pudesse saber, previamente, de modo à integração do tipo penal de que trata que, em todas as suas modalidades, apresenta tal exigência como requisito de sua configuração.

VIII. Efetivamente, o pedido condenatório não passa de esforço retórico que, por isso mesmo, não pode ser acolhido, como se pede.

IX. Já, qual a razão do ilustre acusador ter deixado de denunciar aquele que, por força de disposição constitucional, é o único que no âmbito do Poder Executivo, tem iniciativa legislativa (CF, art. 61), o Presidente da República, para somente acusar três de seus auxiliares (CF, art. 76), Ministros de Estado, que iniciativa para propor projetos de lei não têm, embora se diga que para aprovação daqueles teriam corrompido Deputados, isso é um mistério que esta Ação Penal incompleta e descabelada não revela.

Muito menos, diante do princípio da obrigatoriedade da ação penal pública, revelou.

Certo, o Defendente se debate, desde o recebimento da denúncia para que a matéria seja submetida ao Plenário dessa Alta Corte, à luz do que dispõe o CPP, art. 40, sem sucesso, porque travado por Vossa Excelência, ora sob alegação de que isso incumbiria ao acusador, ora de que isso descabia ao Supremo Tribunal, ora ainda que já fora decidido, mas que, em verdade, jamais foi proposto à Corte tal qual suscitado.

Afinal vige o disposto pelo CPP, art. 40, “Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e os documentos necessários ao oferecimento da denúncia” ou, estamos todos submetidos à vontade incontrastável do Procurador-Geral da República, embora a clara evidência de crime praticado pelo então Presidente da República, a partir mesmo do teor da denúncia, quando se recuse imotivadamente a exercer seu munus em delito de ação penal pública plena, com omissão do Supremo Tribunal ?

Se assim não for, então, que se enfrente a matéria, dando-se aquela disposição processual penal do art. 40 como não recebida pela Carta de 1988.

Intolerável, é a omissão.

X. Por isso mesmo, já desde a defesa prévia, reiterado em quatro séries de embargos de declaração, se disse e pediu, verbis,

“4. Outra coisa é – e se diz que tudo ficou comprovado – o pagamento periódico a parlamentares para votar projetos de iniciativa ou interesse do Presidente da República, por parte inclusive de Ministros de Estado, co-réus neste estranho e incompleto processo criminal.

E se diz incompleto e aberrante da lógica jurídica, a mais desmerecer aquela que presidiu a denúncia açodada e preferencial, porquanto, como expresso em sede de embargos de declaração opostos ao v. acórdão que a recebeu, [ainda sem julgamento], ali se propôs, até aqui sem resposta, verbis,

“4. Admitindo a plausibilidade da acusação, como o admite o v. acórdão, no sentido de que pelo menos três (3) Ministros de Estado, constitucionalmente definidos como auxiliares do Presidente da República (CF, art. 76), se organizaram em quadrilhas autônomas, para, entre outras práticas, atentarem contra o livre exercício de Casa do Poder Legislativo, a Câmara dos Deputados, através de pagamento periódico em dinheiro a parlamentares, para votar em favor de projetos do Chefe do Poder Executivo, o “mensalão”, em delitos diversos, no entanto, nada dispôs o v. aresto sobre igual prática desses crimes, em óbvia co-participação, pelo próprio Presidente, silenciando em face do que dispõe a CF, art. 102, inciso I, alínea “b”, c.c. CPP, art. 40

Se descobre aí omissão e contradição, para que se pede declaração”.

Nesse sentido e para formulação de sua defesa aqui, o Requerente que dera notícia da dita prática delituosa ao Senhor Presidente da República, requereu certidão a respeito das providências que o Chefe do Poder Executivo envidara, mercê da notitia criminis, no âmbito do Poder.

Com surpresa, como evidenciam os documentos anexos, informa-se por certidão que nada foi localizado a respeito“.

XI. Já agora, com a representação dada por ilustre Procurador-Regional ao Senhor Procurador-Geral da República contra atos do ex-Presidente LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA totalmente imbricados com os fatos de que cuida esta Ação Penal – acostada aí pelo Defendente com a petição citada no item I desta – lá protocolada em 19 Abr 2011, sem qualquer pronunciamento conhecido de Sua Excelência, nem mesmo aditamento de sua denúncia, para incluí-lo, se a matéria não for objeto de deliberação expressa dessa Suprema Corte, como se pede, então, que fiquem os documentos alusivos nesses autos, para que, no futuro, um pesquisador distraído da história possa ajuizar sobre o assunto.

XII. Eis porque, ilustrado Senhor Ministro-Relator, o Defendente, respeitosamente, pede sua absolvição.

Pede deferimento.

Sapucaia do Sul, 30 Ago 2011-3ªf.

p.p.

Luiz Francisco Corrêa Barbosa,

OAB/RS nº 31.349.

Escrito por ocommunard

11 de abril de 2012 em 1:06

Publicado em Sem categoria

Marco Maia, el engavetador: Quando o PT se suicidou politicamente

com um comentário

Caros, que todos lembremos desses dias de engavetamentos de CPIs do PT. Depois de mais de 9 anos de ininterrupta perseguição midiática, O PT com a faca e o queijo na mão, simplesmente se esconde. O que o PIG está falando para o Marco Maia simplesmente sentar em cima dos dois maiores escândalos da história da república que exploridia no colo da oposição?

Que o PT saiba, que todos saibam, do dia em que o PT por covardia, miopia ou estupidez se conciliou com os golpistas. Sempre gosto de lembrar do dia em que Trotsky com o testamento de Lenin em suas mãos, que fulminaria de uma só vez Stalin, ele aceitou o apaziguamento. A reação seguinte de Stalin foi destruir completamente Trotsky para que aquele testamento jamais ganhasse a luz do dia. Que o PT saiba, é isso que eles estão fazendo ao não implantarem as CPIs.

É triste, é lamentável, que nós trabalhadores apenas assistamos impotentes esse crime político contra a esquerda brasileira praticado pelo PT. Politicamente, o PT está falido, não funciona mais. Se na década de 90 brilhava como a mais qualificada crítica de oposição, hoje é uma mera paisagem para tentativas permanentes de golpes. Pobre país, nós merecíamos muito mais, esse é um grito inútil de alguém sem esperança.

Escrito por ocommunard

6 de abril de 2012 em 12:06

Publicado em Sem categoria

Merval, aflições metafísicas frente ao Ibope

fazer um comentário »

O real existe? O real é real? A verdade é real? Perguntaria Merval diante do Ibope que aponta o recorde de popularidade de Dilma.

Não podemos dizer que há em Merval qualquer relutância em aceitar o Ibope enquanto instituição, já que a empresa onde trabalha é uma antiga parceira do instituto, e o presidente de tal instituto havia dado entrevista de que Dilma não seria presidenta, uma bela previsão. Mas isso não o impede de ser contra, simplesmente contra, o resultado das pesquisas. Porque para ele, a popularidade de Dilma é uma coisa, o governo de Dilma é outro.

O que para ele fica difícil aceitar é que pura e simplesmente a maior parte da sociedade brasileira discorda dele, e as perguntas do Ibope são bem explícita com relação a isso. Como fica um anti-petista de frente com uma pesquisa cuja presidenta pestista é declarada a mais popular da história, em relação ao mesmo período? Fica como Merval, ele simplesmente nega que a lei da gravidade exista.

Não deve ser fácil para alguém que antes tratava como “poste” a atual recordista de popularidade, e tenha agora que admitir que o governo dela está aquém da mesma, isto é, o poste não só é mais popular da história, como paira acima de seu próprio governo, e brilha mais que o “civilizado” e o “carismático”. Como explicar isso para um anti-petista sem que ele abandone o anti-petismo?

Faça como Merval, simplesmente diga que não pode ser.

O que mais supreende em Merval é sua colossal vacuidade, sua mediocridade intelectual insosa e seu anti-petismo renitente e vulgar. É uma espécie de Sardenberg da política. É incrível saber como a Globo paga para eles falarem e escreverem o que falam e escrevem, como diletantes da pior espécie. Porque não imagino que seus salários sejam baratos, tão pouco imagino que alguém os queira caso um dia a Globo os bote pra fora. São bajuladores inacreditavelmente incapacitados para qualquer dose de jornalismo.

Escrito por ocommunard

5 de abril de 2012 em 6:08

Publicado em Sem categoria

Oposição: a implosão.

fazer um comentário »

Não foi o PT, nem o hegemonismo do PT, nem o aparelhamento do PT, nem o assistencialismo do PT, ou seja lá qualquer outra demonização oposicionista do PT. A oposição conservadora caiu por si mesma. Olhando em perspectiva, sempre foi assim. Demóstenes é apenas mais um capítulo.

Lula jamais teria rompido a barreira do 50% menos 1 sem o desastroso governo tucano que sucedera, nem teria fundado o neodesenvolvimentismo brasileiro sem sofrer as ameaças golpistas que pipocavam do “suposto” mensalão, fato este que teria dado ao Lula um protagonismo tal sobre o PT a ponto de indicar pessoalmente a sucessora que hoje bate todos os recordes de popularidade, inclusive em relação a ele.

Quando Lula em campanha conclamara os brasileiros a extirparem o DEM da política, teve como maior colaborador o ex-vice prefeito de José Serra, que simplesmente dizimou o DEM a favor de seu novo partido: o PSD. Que como todos sabem, foi uma tratativa serrista para enfraquecer seu rival interno Aécio Neves.

O udenismo do PSDB foi a cereja do bolo, criou uma armadilha suicida contra qualquer arranhão que sofresse em termos “morais”. Ao tentar marcar uma identidade que se resumia apenas ao moralismo histriônico, reservou todas as suas cartas sob um telhado de vidro que eles sabiam que existia. O que é o PSDB além de neoudenismo e neoliberalismo? O primeiro foi desmascarado pelos escândalos da oposição, o segundo foi desmoralizado pelas crises atuais. Ambos se inviabilizaram completamente.

O PSDB virou marketing, pura e simples propaganda de uma “marca” cada vez mais amparada na presunção de burrice sobre a opinião pública. Somente há alguma reserva moral na dita oposição de esquerda, por isso que Marcelo Freixo surge como alternativa dos oposicionistas decadentes, o problema é que o PSOL já estava se udenizando para assumir esse papel, já nasce morto como uma verdadeira alternativa à esquerda. Como ele poderia governar sem udenismos nem neoliberalismos tendo como base de apoio o PSDB e o DEM? Esperemos que essa equação insolúvel encontre uma resposta mágica, porque o futuro da oposição está na esquerda, e ela é o futuro do país, desde que ela compreenda seu papel como alternativa anti-conservadora, não como alternativa anti-petista, criticando o componente conservador da aliança centro-esquerdista.

Querem um exemplo desse tipo de oposição? Acompanhe o candidato da Frente de Esquerda na França, Jean-Luc Melenchon. A nossa extrema esquerda deveria aprender com ele três lições:

1) unificar as esquerdas, democratizando as soluções das diferenças
2) pacto anti-conservador, esquerda e centro-esquerda devem focar seus ataques na direita, nos valores conservadores e na plataforma neoliberal
3) radicalização, a esquerda deve se apresentar como versão “audaciosa” da centro-esquerda, tanto rompendo os “escrúpulos” conservadores da centro-esquerda, quanto aumentando a carga crítica contra a direita. Esse ítem só é viável se o pacto anti-conservador estiver garantido.

Escrito por ocommunard

5 de abril de 2012 em 5:40

Publicado em Sem categoria

Veja: O Santo Sudário do Corrupção

fazer um comentário »

É realmente obcena a capa da revista Veja, um achincalhe contra a inteligência da opinião pública, quando o maior escândalo do momento envolvendo o DEMóstenes-Cachoeira revela conexões com o diretor-chefe da revista, esta descaradamente esconde o escândalo de sua capa?

O tema religioso na capa depois de desmascarada suas relações criminosas com um falso moralista é um achincalhe na cara da opinião pública. A imagem religiosa para encobrir um escândalo dessas proporções é a síntese da hipocrisia pseudo-moralista que este panfleto criminoso se tornou.

Pasmém, o editor chefe da Veja tem relações com um chefe de quadrilha, não se trata de uma acusação, se trata de um fato. Ao mesmo tempo em que a dita revista adora revisitar o termo “chefe de quadrilha” da “acusação” contra Dirceu, ainda que este implore todos os dias para ser julgado o mais rápido possível.

Nada melhor simboliza este panfleto reacionário do que encobrir um escândalo que está envolvido com uma capa tratando do Santo Sudário.

O que essa capa cínica revela, além do descarado encobrimento, é o surreal silêncio das autoridades sobre os envolvidos da revista Veja que até hoje não foram indiciados. Quantos DEMóstenes ainda existem no judiciário a serviço de um Santo Sudário da corrupção?

Como pode uma revista que está no minimo em suspeição com relação a um chefe de quadrilha que ela esconde em sua capa? Roberto Civita não é mais apenas um Rupert Murdoch tropical, é o Carlinhos Cachoeira da imprensa, algo mais próximo de uma quadrilha do que de uma máfia.

A lei é para todos?

Escrito por ocommunard

4 de abril de 2012 em 13:39

Publicado em Sem categoria

DEMóstenes, sua última chance de dignidade!

fazer um comentário »

Veja com que empáfia vemos elementos do DEM, um partido tão corrupto quanto demonstra não ser, desfilarem fúria e contundência nos ataques ao DEMóstenes, essa grafia mostra bem o quanto o então esculachado desmascarado incorporava a falsa moral do partido, uma vez desmascarado se tornou carne de piranha. Que tal o DEMóstenes ter um pouco de dignidade com o país e abrir o baú de todos os corruptos ex-aliados que agora o “pós-julga”, sim, pois o problema não é de prejulgamento, ele sabe bem disso.

Vamos lá DEMóstenes, que tal uma delação premiada? Se você abrir esse baú para seus ex-aliados hipócritas em nome de sua real crise de consciência, realmente poderá fazer de sua queda uma redenção política para si mesmo e para todo o país.

Escrito por ocommunard

3 de abril de 2012 em 21:31

Publicado em Sem categoria

O Cachoeira de Demóstenes, o clímax de uma farsa

fazer um comentário »

O Catão da oposição caiu, um dos mais “prestigiados oposicionistas” foi tão plenamente desmascarado que provocou um quase infarto moral no “colonato” tupiniquim. Quando Bob Jefferson acusava o mensalão que ele desmintira em suas alegações finais no STF (tal desmentido até hoje está censurado nas mídias filiadas ao Instituto Millenium), essa mesma mídia tripudiava com o que chamou de “silêncio dos intelectuais”, hoje os mesmos tem muito o que rir por último desses pseudo-moralistas desmascarados.

Essa dita oposição que reúne grandes mídias, elites preconceituosas e partidos decadentes abusavam de seu oligopólio para fazerem política através de propaganda em massa, um cartel político-ideológico, um goebelianismo redivivo. O problema é que quando você fecha a porta para a realidade, ela aparece pela janela.

A cortina de fumaça se fragilizava a cada novo desafio dessa estratégia goebbeliana de esconder denúncias contra a direita e fabricar calúnias contra a esquerda, com a internet, sempre alguma ressonância perdurava, corroendo as bases neoudenistas. Silenciaram a Operação Satyagraha (que atingia diversos calunistas), a Operação Castelo de Areia (que atingia Agripino Maia e Sérgio Guerra) e caluniaram o quanto puderam o best-seller Privataria Tucana (que atingia José Serra em cheio). Mas em cada campanha desesperada de encobrimento, as tímidas bases sociais do neoudenismo minguavam ainda mais.

Mais antes que pudessem se recuperar da ressaca moral dessas últimas desinformações programadas, as notícias de Cachoeira e Demóstenes começavam a circular. A operação abafa foi imediatamente ativada, minimizando a denúncia, oferecendo presunção de inocência (negado a petistas), exaltando o direito a defesa (valores esquecidos até então), mas os fatos foram atropelando cada nova “interpretação”. Não dava mais, DEM tentando salvar seus anéis exige de Demóstenes um haraquiri, e então este, para salvar a “cosa nostra”, declara sua morte política.

A cena seguinte é chocante, os mesmos “calunistas” que banhavam de adjetivos morais inatingíveis o até então paladino da justiça, Demóstenes, começava a linchá-lo publicamente com quase a mesma fúria com que continuamente atacam o PT, mais preferencialmente Lula e Dirceu. Nessa aparente selvageria udenista se esconde um meticuloso encobrimento de muitos outros envolvidos, como Marconi Pirilo, o editor chefe da revista Veja e outros medalhões da oposição.

Até que ponto terminam os anéis e começam os dedos, eis a questão para os militantes demotucanos da imprensa. Quando taparam o buraco do escâdalo da privataria, que atingia apenas um grupo muito limitado de serristas, agora se vêem com um escândalo que envolve quase todos os partidos de oposição, além do serrista Gilmar Mendes e da revista Veja, e que no final das contas vai desaguar no mesmo mar do serrismo.

Na oposição brasileira todos os caminhos levam a José Serra, se o PSDB legitimamente estivesse assumido a refundação aecista em 2010, voltando a seus valores social-democratas sob a benção de FHC, largando de lado o neo-udenismo serrista, toda essa sujeira iria pelo ralo sem comprometer nada mais do que uma parcela moribunda do demotucanato. Mas subestimaram mais uma vez ao povo brasileiro, e mais uma vez se superestimaram. Se o exemplo mais bem acabado de goebbelianismo terminou numa forca execrado como o regime mais repulsivo da história humana, se o Lacerda original terminou seus dias atacando um golpe militar que por toda sua vida política se impenhou, o que esperariam esses amadores em plena era da internet?

Aécio Neves e toda a ala progressista do PSDB, ouçam meu conselho, migrem imediatamente ao PSB enquanto ainda há tempo, enquanto ainda é viável politicamente. E para o PT, tirem a CPI da privataria da gaveta, porque cedo ou tarde essa conciliação lhe custará o pescoço. O que custou ao PT em 2006 ao se conciliarem com o PSDB abrindo mão de uma CPI das privatizações? Eles retribuiram com uma tentativa golpista do mensalão e agora a realidade se impõe com uma nova CPI assinada inclusive por tucanos. Para quem conhece minimamente a história dos governos trabalhistas e suas conciliações, já deveriam ter entendido que conciliação com a direita no Brasil significa uma incitação golpista ou um suicídio político.

A direita brasileira vive uma tragédia grega, terá por força das circunstâncias de realizar um calote moral, a questão é se farão um “calote organizado ou desorganizado”, tal calote não será pequeno. Talvez a Argetina, vejam só, tenha algo a ensinar, caso os jornalistas que ingenuamente caíram na farsa saiam da defensiva e assumam a bandeira de uma ley de medios brasileira.

A história brasileira nos ensina que quando nossas elites estão encurraladas elas apelam para um golpe, só que hoje não há nenhuma viabilidade golpista, seja pela grande popularidade de Dilma, seja pelo contexto internacional. E com tão baixa probabilidade de êxito, um golpe frustrado de direita só serviria para transformar o reformismo de centro-esquerda em uma revolução esquerdista, que o diga a grande Venezuela bolivariana!

Escrito por ocommunard

2 de abril de 2012 em 1:32

Publicado em Sem categoria

De Frente com Pondé: a vã vacuidade do politicamente incorreto

fazer um comentário »

Assistir de Frente com Gabi com a entrevista do “filósofo” Pondé é uma experiência sensacional de desmascaramento, não o digo isso para meramente me opor ou contrastar as minhas opiniões esquerdistas com as opiniões anti-esquerdistas dele, como ele provavelmente me acusaria, não, não é isso. Um debate é sempre entre opostos, mas para ver o quanto é constrangedoramente vazio sua dita filosofia, porque eu realmente esperava um pouco mais de densidade.

Tão pouco o repudio ou ofenderia, como provavelmente ele faria comigo, pois acho interessante alguém disposto a em última análise colocar tudo em questão, a “dúvida é o preço da pureza” já disse um filósofo. Quero declarar antes de mais nada que ele, para mim, é o que há de melhor em qualidade intelectual entre os bajuladores apadrinhados pela elite brasileira, por isso me dou o trabalho de refutá-lo.

Politicamente, Pondé se insere numa linha desesperadoramente órfã das classes dominantes do Brasil atual, um Nelson Rodrigues, uma espécie de Marquês de Sade que a soldo das elites possa esgrimar seu talento para desmoralizar a esquerda através da apologia da escatologia. Pondé é “rodriguiano” par excellence, e seu modesto brilhantismo não perde feio para seu alter-ego em coleção de frases de efeito. Há outros “jornalistas” que buscam desesperadoramente essa posição de “neo-rodrigues”, de “reacionário” constrangedoramente genial, mas falharam tão fragarosamente que terminaram como coroinhas do marcatismo vulgar: Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Mainardi, Lobão, etc.

Pondé está acima destes, sem a menor dúvida, há nele uma formação intelectual mais paupável (ainda que restritiva como se verá), sua formação ideológica pode ser extraída dos flancos abertos pela “esquerda radical” do pós-estruturalismo ou pós-modernismo, que rompeu completamente com as bases do racionalismo, esse recurso pre-discursivo, essa meta-narração anti-meta-narrativa é a raiz do discurso neo-rodriguiano de Pondé, seu argumento é sempre desarmar qualquer discurso questionando seus fundamentos, e como um deus ex-machina, fazer brotar do chão o seu monólogo iluminista-inglês.

O interessante é que a entrevistadora é uma admiradora passional do entrevistado, isso transforma o desnudamento em algo ainda mais belamente melancólico. Vamos aos fragmentos…

O que é o politicamente correto para ele? Segundo ele, a ascensão social de negros impedia as piadas preconceituosas nos EUA, mas ele diz que a partir de um dado momento esse “impedimento” virou uma “censura”. Não pode censurar o “preconceito”, palavra que some do argumento, porque, para ele, eliminaria o “risco” do pensamento, vira um “higienização do pensamento”. Veja como ele contraditoriamente usa o termo nazista “higienização” para combater a censura da prática nazista. Politicamente correto é bom, porque civiliza, mas é ruim, porque censura “a partir de um certo ponto”, que ponto é este filosoficamente falando? …

Segundo ele o “eu amo o outro”, uma expressão tão obviamente garimpada do milenar altruísmo cristão, é uma contribuição do “politicamente correto” que ele odeia. E que para ele o outro “que nos importa é aquele que nos irrita”. Por fim, conclue, o “politicamente incorreto é uma forma contemporânea do mau caráter”. Cadê a lógica? Porque alguém se importa com aquele que te irrita, e qual a ligação disso com a conclusão? Lógica para um “filósofo”, pelo amor de deus.

Ele que acusa uma expressão cristã, agora apela ao tão cristão pecado original para associar a uma natureza inata suja, repulsiva, má, em outras palavras, pecaminosa. É bem verdade, emprestada dos seus amados anglo-iluministas. Isso faz parte da natureza? Quando essa natureza má enfrenta o constrangimento de naturalização da corrupção política, ele apela ao Cândido de Voltaire e o seu “melhor possível”, ah, mas ele é contra um “Mundo melhor”.

Contradições, contradições, contradições…

Diz o filósofo: “Mais importante do que o povo pensar, se é que o povo pensa. Quando uso a categoria povo digo no sentido de massa, massa amorfa”. Não se irrite, é apenas uma vazia tentativa de frase de efeito. Ele continua o discurso condenando a política e a democracia em um processo de marketing, isso é um dado real e até mesmo óbvio, nada profundo para um filósofo tão genial. Mas logo ele se desculpa com o marketing, não com a democracia, apesar de ser ela que está sofrendo os efeitos da mercantilização (marketing = comercialização), de “políticos que lê os desejos ao invés que criar consciência social, eu não sei se é possível criar consciência social”. Resumindo, o mal vem da marketing da política, mas a culpa não é do marketing. E claro, racionalizar desejos, só sendo filósofo ou político?

Depois de toda essa meta-narrativa, ele volta para o convencional quando se “trata de verba pública”, a tal santidade burguesa do dinheiro, seja público ou privado, é tal, que todo o castelo ideológico desaba momentaneamente para passar com pompa o velho moralismo udenista.

Mas retorna, “a natureza humana é assim, quando você tem chance de ter poder, de esconder” vai lá e rouba. Que isso contradiz a diferenciação quando entra “verba pública”, ou porque há essa diferenciação, tudo bem, o entrevistado e a entrevistada apenas vão para a próxima pergunta.

Ele disse que democracia não é somente ter eleições, faz mais uma bajulação as elites chamando Chavez de tonto (Bush deve ter sido para ele um problema da natureza humana). Para ele é preciso dos “pesos e contra-pesos” (de novo o iluminismo inglês?) que ele traduz como “muitos conflitos”. Nunca vi uma democracia sem eleições, mas já vi muitas ditaduras com vários conflitos, inclusive “entre lobys”. Para ele democracia é a “institucionalização do conflito” para “que não vire quebradeira”, que depende (mais bajulação) de uma “imprensa livre” que não seja cerceada em nome do quê? “do cidadão”. Isso, mesmo. Cerceada por patrões, pode. Cerceada por pressões econômicas, pode. Cerceada pelo medo de perder o emprego se não bajular seu patrão, pode. Cerceada por intimidações físicas, pode. Mas pelo cidadão, não pode!

Vamos agora para a chave ponderiama para o “problema” do “maior consumo de bobagens”, para ele é culpa da “democratização dos meios de comunicação”, enquanto “mais gente tem mais acesso aos meios de comunicação, significa mais banalidade mais banal da maioria de nós”. Porque a banalidade de nós sofre esse empuxo quantitativo, não merece explicação para o nosso “filósofo”. Porquê a democracia nos leva a isso? “O cara quer ver bobagem, porque nós somos bobos”.

Me responda, oh “filósofo”, o que ocupa o espaço nesse vácuo não democrático que existiu e continua existindo, e que o processo de democratização está ocupando? Que nome dar a isso? Ditadura? Oligarquia? Plutocracia? Aristocracia? O que exatamente a democratização está devastando? Não saberemos. Talvez ele nos devesse dizer para que podéssemos preservar, mas não nos diz. Apenas aplica o chavão de falar algo supreendente e tentar dar ares inteligíveis, apenas a forma, sem conteúdo, me parece que ele fracassa na segunda parte. Mas é com certeza o melhor que a elite brasileira conseguiu produzir de lacaio intelectual desde o seu adorado Nelson Rodrigues.

Bem acertadamente ele faz apologia do preconceito, ou afirma “todos somos preconceitusos”, citando filosoficamente ele afirma que o preconceito é uma “reação moral instantânea”, mas nem toda reação moral instantânea é necessariamente preconceituosa, esqueceu ele de dizer essa segunda. Logo ele conclui que é o capitalismo que combate o preconceito, ao afirmar que ele não é bom para os negócios. Veja bem, ele começou defendendo o preconceito criticando a “censura do politicamente correto”, depois afirma que ele é natural, depois agora defende que o capitalismo (que para ele é o mesmo que modernização) combate o preconceito. Em suma, ou o capitalismo é ruim porque promove a censura do politicamente correto, ou o capitalismo é maravilhoso por fazer isso, o que agiria contra toda a escatologia do politicamente incorreto, tão defendia pelo Pondé.

Para ele é ancestral os preconceitos relacionado aos nordestinos, mulheres, gays e negros. Seria uma violência questioná-los ou, como ele diz, nos civilizarmos. Que ancestralidade é essa, datada de quando? Se perseguirmos as abordagens de Pondé veremos sempre o nascimento do mundo no século XVII com John Locke, Hume, etc. Pois aonde nem existiam nordestinos, ou anterior a escravidão negra da “modernização”, ou quando muito “acestralmente” a sociedade era matriarcal, ou mesmo em sociedades aonde o homosexualismo era tolerado na antiguidade (Alexandre Magno, por exemplo, era homosexual), o “filósofo” está pura e simplesmente errado.

Mas tudo bem, já chega por aqui.

Eu poderia terminar essa reflexão afirmando que “Pondé, você é mais do que isso”. Mas não seria realmente verdade. Está aí um provocador, polêmico, bajulador, contraditório, brilhante e vazio. Nada mais. A contradição não é um problema quando ela é trabalhadpa dialeticamente pelo pensamento, isto é, compreendida intelectualmente, no caso contrário, como em Pondé, ela se desvia do texto e explode na lógica, jogando a mensagem na lama da vulgaridade tão supostamente atacada.

Mas parabéns ao programa, foi uma excelente entrevista, e espero que vá outros intelectuais, se não for pedir demais, alguns que pensem realmente diferente, fora da linha escatológico(politicamente incorreto)-udenista(moralismo de duas medidas). Que tal o Marco Aurélio Garcia? Ou o grande jurista Fabio Konder Comparato? Ou eles estão censurados no seu programa? Sim, eles estão.

Escrito por ocommunard

26 de março de 2012 em 3:33

Publicado em Sem categoria

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.